No reino dos pequenos insetos, uma grande revolução está prestes a acontecer. Diante da ameaça da vida, que começa a ser percebida pelo adoecimento da "grande árvore", que fica com os galhos enfraquecidos e de repente começa a perder as folhas, eles iniciam uma grande jornada em busca do conhecimento que irá ajudá-los a salvar a natureza e, consequentemente, eles mesmos. Não poluir o meio ambiente, cuidar da qualidade da água, usar racionalmente os agrotóxicos e respeitar as orientações dos agrônomos no cultivo adequando da terra são algumas das lições que acabam por aprender e partilhar com mais de 1.500 alunos de escolas municipais do ensino fundamental 1 de Londrina e Rolândia.

O espetáculo foi apresentado gratuitamente em diversas sessões no dia 25 e 26 de fevereiro, no Centro Cultural Nanuk, em Rolândia. O projeto "A Árvore da Vida", da Sia Santa (Campinas/SP), tem patrocínio da FMC Química do Brasil Ltda – via Lei Rouanet – e deverá atender até o final do ano um total de 12 mil alunos e professores de escolas públicas brasileiras. A direção é de Jorge Fantini e texto de Bruno Fantini. A ação em Rolândia fez parte da etapa de circulação nos estados de São Paulo e Paraná. No dia 26, acompanhamos a apresentação que foi realizada para os 250 alunos das escolas municipais Jadir Dutra de Souza e Edmundo Odebrecht, de Londrina, e Luiz Real, de Rolândia.

E, no escurinho do auditório, as crianças se encantam com a cenografia caprichada e as peripécias dos personagens. A história gira em torno do vaga-lume Nani, que utiliza do seus estudos baseados em livros para achar uma solução para o problema que a floresta está enfrentando. Aliás, a peça acaba por fazer uma boa analogia dele com a "luz" do conhecimento e, reforça, a importância do hábito de estudar para o desenvolvimento da habilidade da inteligência – "por meio da educação é que se pode aprender a ciência para o benefício da vida", ele defende. Diante de outros insetos "mais fortes, valentões e velozes", o simpático vaga-lume acaba por se sobressair por causa da sua capacidade de pensar e relacionar as informações. Uma das partes mais interessantes é a "disputa de charadas", em que a plateia também interage com os atores.

A caracterização dos personagens é muito bem feita e definitivamente a aranha Arak é a que mais chama a atenção da criançada. Em sua teia, a mensagem do quanto devemos preservar o meio em que vivemos. O diálogo também tem a sua relevância na peça e demonstra a necessidade de saber levar em conta os diferentes pontos de vista para se chegar a um denominador comum, em que prevaleça o bom senso. Vale citar a impagável bandinha de fungos que, além de barulhenta, mostra o estrago que podem fazer. Entre os personagens, também estão a o besouro Tropo, a joaninha Mili, a vespa Sansa, o louva-a-deus Kadê e a centopeia Enciclopeia.

No decorrer da encenação, diversos conceitos ecológicos vão sendo abordados de maneira lúdica, ilustrando de maneira prática os seus significados. A sustentabilidade é incentivada de diversas maneiras e o recado que fica é que a manutenção da vida só será possível com práticas mais conscientes em relação à natureza que, como nós, também adoece quando não é bem cuidada.

O "médico" da natureza seria o engenheiro agrônomo que estuda para aprender a cuidar da natureza e desenvolve novas tecnologias para a agricultura, que é caracterizada como a "arte de cultivar a terra". Nessa parte, eles destacam o quanto o uso de agrotóxicos precisa ocorrer sob orientação profissional para não acarretar prejuízos à natureza e à saúde humana. "O teatro é muito interessante porque ajuda as crianças a fixarem de forma mais lúdica as informações teóricas que passamos na escola", destaca a coordenadora Daiana Castilho, da Escola Municipal Luiz Real.

Durante a missão em prol da floresta, os insetos acabam descobrindo que "é necessário aprender a fazer antes de fazer", e que o segredo está na sustentabilidade: não seria possível salvar a grande árvore sem cuidar de toda a natureza. No final, entre aplausos e gritos estridentes, parece que as crianças aprovaram essa forma mais divertida de transmitir informações fundamentais que ajudam a melhorar a qualidade de vida.

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