A cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, é considerada a capital do diamante e uma das maiores referências entre as cidades baianas ligadas ao garimpo. Tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, seu casario é testemunha dos tempos de opulência da aristocracia local que viveu da riqueza e prestígio vindo dos diamantes.
É interessante andar pelas ruas, observar o traçado arquitetônico e o calçamento da cidade, feito com a própria pedra da região. Para se ter uma idéia do que foi o comércio do diamante em Lençóis, basta visitar o sobrado onde funcionou o Consulado Francês. Na verdade, um entreposto comercial onde a aristocracia local negociava diretamente com a Europa.
A residência da família Sá, que hoje abriga a prefeitura municipal, é um marco da opulência das famílias tradicionais. O médico e escritor lençoiense Afrânio Peixoto nasceu no mesmo sobrado onde hoje funciona o museu que leva seu nome. Aí estão guardados vários pertences do escritor, inclusive originais dos romances e o fardão da Academia Brasileira de Letras.
ReproduçãoCasario em Lençóis: patrimônio históricoPara fazer os passeios ecológicos é imprescindível a contratação de um guia. O roteiro das cachoeiras pode ser feito em duas etapas: a primeira, uma caminhada de cerca de três quilômetros, abrange a Cachoeirinha, cachoeira da Primavera, poço Halley, Salão das Areias Coloridas e o Serrano. A segunda, outra caminhada de 3,5 quilômetros, até o Ribeirão do Meio. Para esta e qualquer outra caminhada na Chapada é necessário calçar um bom tênis, vestir roupas leves, levar água e um lanche.
A cachoeira da Primavera é o primeiro da série de espetáculos que a natureza oferece. Com cerca de seis metros de altura, formada pelo riacho Grisante, um afluente do rio Lençóis, a Primavera é uma cachoeira permanente, com água gelada e forte, ótima para massagear o corpo. O local para banho é completamente tomado por pedras.
Em seguida, uma descida ao poço Halley ou poço Paraíso (nome original), formado pelo rio Lençóis e situado entre um canyon. O rio desce por sobre o leito pedregoso e se espalha para o largo, formando o poço com cerca de três metros de largura por dez metros de comprimento e profundidade máxima de dois metros. O local é excelente para banho e mergulho, inclusive para crianças. A água é gelada e de cor acobreada - como a maioria dos rios da chapada - por causa da grande quantidade de essência de material orgânico que a correnteza traz das nascentes. Nova subida, desta vez mais suave, e chega-se aos Salões de Areias Coloridas, formados pela erosão de rochas graníticas e conglomerados de arenito, onde artesãos recolhem variados tons de areia para encher garrafas com diversos desenhos, oferecidas aos turistas como lembrança.
A descida é agora em busca do leito do rio Lençóis para um banho reconfortante, desta vez no Serrano. O local, de antigo garimpo, é um pequeno mirante natural, de onde se descortina a cidade e o vale do rio São José que, mais adiante, se junta ao primeiro para desaguar no Paraguaçu.
O nome Serrano originou-se dos primeiros garimpeiros da área, vindos da região serrana de Minas Gerais. A queda d’água tem aproximadamente 15 metros de altura, dividida em várias quedas pequenas; a principal é conhecida como ‘‘sonrisal’’ porque cura qualquer ressaca. As rochas são de tonalidade rósea e incrustadas de seixos lembrando painéis em mosaico. O Serrano fica a menos de um quilômetro de distância da cidade.
O Ribeirão do Meio fica a 3,5 quilômetros do centro de Lençóis e a cavalgada é a opção preferida de turistas alemães, franceses e paulistas que invadem a Chapada durante as férias de julho e no verão, como informou o vaqueiro Dezinho, 49, que aluga os animais.
Depois de meia hora de cavalgada, com direito ao perfume do alecrim do mato e o canto dos pássaros silvestres, chega-se ao rio Ribeirão. Um afluente do rio São José, que forma a escorregadeira do Ribeirão do Meio, é uma diversão para crianças de todas as idades. O rio se espalha por um declive suave com 30 metros de extensão, onde as pessoas sentam e escorregam até um lago formado entre pedras, cuja maior profundidade fica em torno de cinco metros. O local conta com pequenos pontos de apoio para venda de água mineral, cerveja e refrigerante.
Pegando uma outra trilha à direita, antes de chegar às escorregadeiras está a cachoeira do Sossego, a exatamente oito quilômetros da cidade - seis de caminhada em trilha e dois através do leito do rio Ribeirão. É formada por várias quedas, a mais alta com cerca de 14 metros. Uma outra cachoeira deste circuito é a do rio Mucugezinho, na margem direita de quem desce a BR-242, a 20 quilômetros de Lençóis. O leito de pedras desalinhadas forma diversas cachoeiras e saltos, o maior o poço do Diabo com um trampolim de 22 metros de altura e, em seguida, um belíssimo canyon. No final da tarde, de volta a Lençóis, uma deliciosa opção é almoçar uma galinha caipira ao molho pardo, especialidade do Neco‘s Bar (rua Clarindo Pacheco, 15). É preciso encomendar com antecedência o almoço.


Artur Ikishima/DivulgaçãoPescadores no rio LençóisTOME NOTA
- Como chegar
De carro, partindo de Salvador, pelas BR-324 (109 km até Feira de Santana), BR-116 (72Km até Paraguaçu) e BR-242 (219 km até a entrada da cidade de Lençóis que fica 12 km adiante).
De ônibus: A Viação Alto Paraíso faz a linha Salvador/Lençóis diariamente às 7h30min, 12h, 22h. Os horários das viagens de volta são 8h30min,15h, 22h30min.
De avião: A região acaba de ganhar um aeroporto de primeira linha, no distrito de Tanquinho de Lençóis, à margem da BR-242. O aeroporto tem capacidade para receber aeronaves tipo 737-300 (boeings). O pátio de estacionamento abriga três aeronaves e o terminal de passageiros, 100 pessoas.
- Onde ficar

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