ECA mobiliza crianças em debate
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terça-feira, 29 de novembro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Após um ano de intenso trabalho, o programa Folha Cidadania, projeto de responsabilidade social do Grupo Folha de Comunicação, chega ao fim das atividades deste ano. Ao longo de 2015, alunos das escolas municipais de Assaí, Cambé, Jataizinho e Londrina receberam o jornal em sala de aula como material pedagógico e, ainda, puderam participar de oficinas e passeios culturais, como visitas ao Jabuti Lazer e Conhecimento, Embrapa Soja, Sesc Cadeião Cultural e projetos do Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii. O projeto ofereceu, também, concursos culturais, como o Concurso de Charges e Concurso Pequeno Jornalista, premiando os melhores desenhos e redações. Para encerrar o ano, realizou, na última sexta-feira (25), o evento Debatedores Mirins, quando alunos participaram de um debate real diante de um público no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Este ano, o tema do Debatedores Mirins foi "O Estatuto da Criança e do Adolescente: direitos e deveres". Para tanto, o assunto foi trabalhado previamente pelos professores com os alunos com base no material "A Turma da Mônica em: O Estatuto da Criança e do Adolescente", elaborado pelo Instituto Mauricio de Sousa e que, em parceria com a Folha de Londrina, foi publicado em formato de gibi em suas edições. Desde que foi lançado, em 2008, esse material já bateu a marca de 30 milhões de exemplares impressos. Foi desenvolvido pelo Instituto que, dentre as várias ações, identificou a importância em difundir a Lei 8.069/90 Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por meio de uma linguagem clara e lúdica, garantindo sua aplicabilidade para a construção de uma sociedade consciente e justa, além de proporcionar a melhoria das políticas sociais de atendimento às crianças e adolescentes.
Foram escolhidos dois alunos do quinto ano de três escolas, dos municípios de Cambé, Jataizinho e Londrina, para que fossem à mesa debater. A professora Josiane Barusso acompanhou os alunos Ronald Antônio Pereira Junior e Isaac de Oliveira Selau, da Escola Municipal Prof. Jacídio Correia, de Cambé; a professora Edneia Regina Lizieiro acompanhou os alunos José Felipe Sprocati Costa e Felipe Antônio dos Santos Facio, Escola Municipal Princesa Isabel, de Jataizinho; e a professora Jéssica Phomeniuk Ferreira acompanhou as alunas Julia Cavalcante e Bruna Vitória dos Santos, da Escola Municipal José Garcia Villar, de Londrina. O público foi formado por cerca de 60 alunos das escolas, que também puderam participar ativamente do debate mediado pela jornalista Célia Musilli, editora do caderno Folha 2 e da Folha Cidadania, publicação semanal que divulga ações pedagógicas bem sucedidas, resenhas de livros infanto-juvenis e espaço de opinião, além de links informativos.
O DEBATE
O debate começou com a pergunta feita pela mediadora se os alunos, antes do material, já haviam ouvido falar do ECA e o que aprenderam com o gibi. A grande maioria respondeu que não tinha conhecimento do tema e que a experiência com o material trouxe novas informações. "Assim ficou muito mais fácil de entender as leis", disse Julia Cavalcante. Já o aluno Isaac de Oliveira Selau comentou que, ao ler sobre os direitos, percebeu que muitos itens ainda precisam de "acertos". "A criança não pode ser tratada como um mini-adulto." Ronald Antônio Pereira Junior completa dizendo que não adianta existirem leis somente do papel. "É preciso por em prática. Senão, não adianta nada", enfatiza. José Felipe Sprocati Costa emendou e disse que o ECA não está sendo cumprido como deveria, sobretudo os deveres. "Ainda existe muito bullying. Precisamos parar com isso para a sociedade melhorar."
Aproveitando o ensejo, a mediadora questionou sobre outros deveres que não estão sendo cumpridos. O assunto esquentou com os alunos levantando problemas como a falta de respeito das crianças aos pais e às pessoas. "Eu vejo muito racismo e violência moral. E, hoje, tudo é motivo para briga. As coisas deveriam ser resolvidas no diálogo. O que as crianças aprendem com os pais, vão fazer nas ruas e na escola", pontua Julia. Para resolver este problema tão presente no cotidiano deles, Bruna Vitória dos Santos sugere ações. "Deveriam haver palestras nas escolas." Ainda sobre o tema violência, os alunos mostraram que estão atentos aos direitos. "Existem crianças que são agredidas ou até mesmo mortas por adultos. Para isso, existem os Conselhos Tutelares, que vão acompanhar os casos de perto", disse Isaac. Felipe Antônio dos Santos Facio pontua que "para dar disciplina aos filhos não é preciso bater, muito menos espancar".
Com relação aos direitos, todos foram enfáticos ao dizer que as crianças devem ter acesso à saúde e educação e que esta, inclusive, seria capaz de reduzir o trabalho infantil e vários problemas sociais. "Se as crianças passam mais tempo na escola, aprendem assuntos importantes. Hoje já existe a lei do menor aprendiz para adolescentes, mas é um carga de trabalho bem reduzida para não atrapalhar os estudos", resumiu Isaac. Já Bruna defende uma escola em tempo integral para que os alunos não tenham tempo de ficar ociosos nas ruas ou ter contato com as drogas. "Principalmente enquanto os pais trabalham". Opinião que é rapidamente discordada por Isaac. "Você não pode afirmar isso. Nem todas as crianças ficam sozinhas." De maneira saudável, cada um expõem, em seguida seu ponto de vista. O debate também foi aberto para que o público presente fizesse perguntas direcionadas aos debatedores ou considerações sobre o tema.
O projeto tem patrocínio do Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii; A.Yoshii Engenharia; Sicredi; Prefeitura Municipal de Cambé; Prefeitura Municipal de Assaí; Grupo Folha de Comunicação; e apoio de Jabuti Lazer e Conhecimento; Supermercados Viscardi, Beba Natú; Tranportes Coletivos Grande Londrina; Prefeitura Municipal de Londrina, Fecomércio PR Sesc, Embrapa Soja e Casa da Vila.


