Desde que chegou à Globo, a apresentadora Ana Maria Braga nunca se sentiu tão segura. Principalmente depois que o ‘‘Mais Voc꒒ conseguiu, nas últimas semanas, estabelecer a média de 18 pontos no Ibope, meta exigida inicialmente pela emissora. O atual momento do programa fez Ana Maria exorcizar do ‘‘fantasma’’ do seriado ‘‘Chaves’’, exibido há mais de dez anos no SBT, que chegou a liderar a audiência no horário. ‘‘Era até esperado o programa passar por problemas naquela época. Era uma fase de transição. Só agora o programa ganhou minha cara’’, justifica Ana Maria.
Mas Ana Maria acha que não vai ter muito tempo para saborear a segurança. E avisa que a produção vai continuar passando por algumas mudanças. Novos quadros, como os de etiqueta e de ginástica, foram introduzidos no ‘‘Mais Voc꒒, que outubro completa um ano no ar. ‘‘O segredo não é ficar estagnada num único formato. Assim, o público não fica saturado’’, imagina. Paralelamente ao programa diário de culinária, Ana Maria também aguarda uma resposta da direção da emissora sobre quando ela terá o programa de auditório prometido na assinatura do contrato. ‘‘Existe a cláusula, mas só acho que vai entrar na grade da Globo no próximo ano’’, conforma-se.
No período em que o ‘‘Mais Voc꒒ chegou a perder para o ‘‘Chaves’’ na média do Ibope, você sofreu algum tipo de pressão da Globo?
Posso dizer com toda tranquilidade que a emissora agiu comigo com o máximo de dignidade e profissionalismo possível. Nunca sofri qualquer tipo de pressão. O que houve foi uma expectativa natural da imprensa, que achava que eu não tinha as características de trabalhar na Globo, uma emissora que exige e tem um padrão de qualidade total. Mas quando fui contratada, a própria direção da emissora já sabia do meu estilo. Nunca pediram para eu mudar, nem mesmo a superintendente Marluce Dias. Mas sempre as pessoas irão criticar. Isto faz parte do jogo e principalmente para quem atua no meio artístico, seja na televisão, no futebol ou como cantor.
Você acha que as críticas no início foram injustas?
Acho que o papel do público e da própria imprensa em si é também criticar. Encaro isto com a maior naturalidade. Vejo algumas notas na imprensa, que acabam servindo para eu refletir e pensar: ‘‘Realmente é verdade o que ele disse. Então, eu posso melhorar e tentar mudar’’. Mas o que me incomoda são aquelas críticas sem fundamento. Mas como já disse, estou sabendo superar tudo isso. Sei muito bem discernir aquelas que podem acrescentar na qualidade do meu programa daquelas que não dizem absolutamente nada.
A que você atribui o ‘‘Mais Voc꒒ ter conseguido atingir a média de audiência desejada pela Globo?
Muito trabalho. E de toda equipe, desde os técnicos até a direção do programa. O que aconteceu no início foi uma fase de adaptação mesmo. Estava conhecendo o ambiente de trabalho. As pessoas com quem estava trabalhando. Isto é normal para quem está chegando num local de trabalho desconhecido. Aliás, está sendo muito legal o reencontro com muitos colegas com quem trabalhei, por exemplo, na extinta TV Tupi.
A reformulação constante do programa é uma necessidade?
Sem dúvida. Se ficar sempre do mesmo jeito, as pessoas acabam saturando. Como o programa é ao vivo, a gente dá para colocar as idéias em ação sempre. Por isso, que a gente vem sempre reformulando. Tanto que estamos até fazendo algumas edições do programa fora do estúdio de São Paulo.
Como você vê está proliferação de programas de culinária na tevê?
Nos últimos dez anos, acho que constitui uma nova fórmula de apresentar um programa feminino. Considero o formato do ‘‘Note & Anote’’, que eu criei na Record, uma nova fase neste tipo de segmentação. Mas acho que esta avalanche de programas femininos pode provocar uma saturação. Por isso, estou sempre procurando inovar.

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