É um luxo só
Simone Mattos
De Curitiba
O vestido que Ava Gardner usou no filme La Dolce Vita (Federico Fellini, 1956) e o pijama palazzo de Claudia Cardinale no longa-metragem A Pantera Cor-de-Rosa (Blake Edwards, 1964) estão em Curitiba. As peças fazem parte da exposição 50 Anos de Moda Italiana, que será inaugurada hoje no Memorial de Curitiba. A mostra foi organizada pela jornalista italiana Fiorella Galgano e já passou por Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Além destas peças, a exposição apresenta o luxo de Gianni Versace, o estilo sofisticado de Gianfranco Ferré, as fantasias de Mariella Burani, as sandálias de Salvatore Ferragamo e muito mais.
Na opinião de Fiorella, as peças feitas pelos estilistas italianos são verdadeiras obras de arte. Ela cita o trabalho de Marella Ferrera como exemplo. Ela é chamada de Armani de saias, conta a jornalista. Seu trabalho é requintado, ao mesmo tempo em que trabalha com materiais alternativos, explica.
Um dos dois vestidos apresentados pela estilista na mostra revela o uso de adornos em cerâmica, enquanto o outro foi decorado com pedras do vulcão Etna, da Sicília, metais e pele de cabra.
Outro belo destaque da exposição é o vestido da Coleção Veneza, feito pelo jovem estilista Gai Mattiolo. Pintado e bordado à mão, a criação foi inspirada no teto da Capela Sistina, de Michelângelo. Segundo Fiorella, a peça vale cerca de R$ 40 mil.
Ao todo, a exposição apresenta 57 itens de vestuário, 50 acessórios e jóias, fotografias e esboços feitos por estilistas, reunindo diversas vertentes da moda italiana dos últimos 50 anos.
O trabalho de pesquisa e garimpagem que possibilitou a concretização da mostra foi feito por Fiorella, jornalista especializada em moda, responsável pelo setor no jornal La Sicilia, e na revista Vivere, em Milão, além de comandar o Studio Galgano, agência de comunicação que atende diversos estilistas europeus. Acompanhe a seguir trechos da entrevista exclusiva concedida por Fiorella Galgano à Folha2:
Você declarou certa vez que compara os estilistas aos pintores e suas criações a verdadeiras obras de arte. É assim que vê a moda?
Exatamente. Os estilistas italianos estão pesquisando a arte de maneira muito explícita. Gianni Versace, por exemplo, fez todo o figurino para duas óperas de Maurice Bejart, em 1984 e em 1986. Eles eram muito amigos. Giorgio Armani fez figurinos para um balé de Tchaikovsky, O Lago dos Cisnes. Outra estilista, Laura Biagiotti, fez a mesma coisa, inspirando toda uma coleção em Giacomo Balla, que é um pintor impressionista importantíssimo na Itália. Há sempre esta aproximação dos estilistas, do campo da moda com a arte. Isto é assim desde o passado, desde Giotto e Michelângelo...
O fato da Itália ser o berço do Renascentismo e de ser um país com uma herança cultural tão grande influencia os estilistas?
Claro, certamente. Todos os estilistas, em qualquer época, sempre tiveram a idéia de fazer uma aproximação entre a moda e a arte. Os estilistas contemporâneos continuam fazendo isto, não só no campo da pintura, mas na ópera lírica isto também tem muita importância. Versace, por exemplo, foi muito bem relacionado com o Teatro Scala de Milão, que é o grande teatro.
Como foi o trabalho de reunir todas estas obras de arte numa única exposição?
Eu sou uma jornalista de moda que trabalha há 30 anos neste setor, portanto, passei boa parte da minha vida com estes estilistas. Há uma década já tinha em mente esta exposição, para comemorar os 50 anos da moda italiana. Foi um trabalho árduo e demorado para convencer cada estilista em particular, para reunir todos os estilistas, já que cada um queria fazer a sua própria exposição. Foi um trabalho diplomático.
A mostra viajará para outros lugares depois de Curitiba?
Eu espero continuar expondo no Brasil, pois estou apaixonada por este País. Estou tentando levar a mostra para Recife e Belo Horizonte. Depois ela irá ao Paraguai, Argentina, Chile, enfim, vai cobrir toda a América Latina antes de voltar a Europa.
O que você acha da moda brasileira?
Eu penso muito bem da moda brasileira, gosto muito dela. Vejo como se ela fosse um bebê, começando a andar... Em especial, gosto muito de um estilista de São Paulo... como é mesmo o nome dele? Ah, Walter Rodrigues.
Você consome moda brasileira?
Eu aproveitei esta viagem para comprar coisas para minha filha...
Planeja conhecer melhor a nossa moda?
Sim, tanto que estou começando a organizar uma exposição para o ano que vem, em Roma, que deverá comemorar os 500 anos do Brasil. Nela estarão todos os principais estilistas brasileiros.
A exposição 50 Anos de Moda Italiana será aberta hoje, às 20h30, com festa para convidados. A mostra poderá ser vista pelo público a partir de amanhã, até o dia 2 de janeiro, no Memorial de Curitiba (Largo da Ordem). O horário de visitação é de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas, e aos sábados e domingos, das 9 às 15 horas.Vestidos usados por estrelas do cinema e outras beldades estão na exposição 50 Anos de Moda Italiana que abre hoje em Curitiba
José SuassunaA curadora da mostra, Fiorella Galgano, e o vestido usado pela atriz Ava Gardner no filme La Dolce Vita, feito por Sorelle FontanaJosé SuassunaPijama palazzo usado pela atriz Claudia Cardinale no filme A Pantera Cor-de-Rosa, feito por Irene GalitzineJosé SuassunaVestido feito por Marella Ferrera, com detalhes em cerâmicaJosé SuassunaVestido feito por Gai Mattiolo, coleção VenezaVestido feito por Luciano Soprani, usado pela atriz Jacqueline BissetJosé SuassunaSmoking dourado e azul feito por Giorgio Armani, desfilado em 1991 por Cláudia Schieffer





