É tudo verdade
Dezenove filmes integram a mostra competitiva internacional do 2º Festival de Documentários - É Tudo Verdade. O evento, que começa hoje no Rio de Janeiro e segunda-feira em São Paulo, é idealizado e dirigido pelo crítico Amir Labaki.
Yo Soy - Uma História da Salsa, de Rigoberto López, representa Cuba. Perdido no Mississippi, de Jim Chambers, os Estados Unidos. Baka, de Thierry Knauff, é uma produção conjunta da Bélgica, da França e de Camarões. Meu Diário Irlandês, de Jo Bang Carlsen e Kieslowski por Kieslowski, de Krzysztof Wierbicki, vêm da Dinamarca.
EUA Dos Estados Unidos vêm também A Entrada para a Paz Celestial, de Richard Gordon e Carma Hinton, sobre o massacre na Praça Tiananmen, em Pequim, em 1989. Noel Field - A Lenda de um Espião, de Werner Schweizer (Suíça), discute o caso do americano preso no Leste Europeu nos anos 50: seria um espião ou uma vítima da guerra fria? Anatomia do Tempo, de Dick Tuinder (Holanda), é um documentário fake sobre Arthur Dauphin, cineasta contemporâneo dos irmãos Lumiere. Pecado - Um Filme Sobre Agressões Diárias, de Suzanna Helke e Virpi Suutari (Finlândia), é relato experimental baseado nos sete pecados capitais. Homenagem a Bontoc, de Marion Fuentes (Filipinas-Estados Unidos), é sobre a Feira Mundial de Saint Louis, em 1904. Ensopado de Awara, de César Paes (França-Bélgica-Brasil), foi o melhor filme antropológico no Festival dei Popoli, na Itália.
Exumação de Cadáveres - Portal para a Paz, de Thomas Stenderup (Dinamarca), apresenta o perturbador ritual de exumação de cadáveres. Histórias de Vergonha e Honra, de Antonio Caccia (Inglaterra), mostra as várias faces da repressão à mulher palestina. O Povo Mexicano que Caminha, de Juan Francisco Urrusti (México), é sobre a adoração à Virgem de Guadalupe.
Completam a lista: Olhos Azuis, de Bertram Verhaag (Alemanha-Estados Unidos); Hoje Vamos Construir uma Casa, de Marat Magambetov e Sergei Loznitsa (Rússia); Billal, de Tom Zubrycki (Austrália); e Falas do Coração, de Christina Olofson.
Todos esses filmes concorrem ao grande prêmio do festival É Tudo Verdade: um cheque de US$ 5 mil e um troféu criado pelo artista plástico Carlito Carvalhosa.
Brasileiros Dez filmes nacionais concorrem na categoria de melhor documentário, disputando também um prêmio de US$ 5 mil.
Entre os filmes escolhidos, os destaques ficam para O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes, sobre a vida do líder comunista brasileiro - que concorre também na categoria internacional -, e Bahia de Todos os Sambas, de Leon Hirszman e Paulo Cezar Saraceni. Este último, que foi exibido no último festival de Veneza, mostra um show de artistas baianos realizado na Itália, em 1983.
Mais uma importante figura da cultura nacional está retratada em O Capeta Carybé, de Agnaldo Siri Azevedo. Inspirado em texto do escritor Jorge Amado, o filme mostra a relação do artista Carybé com a cidade de Salvador.
Outro nome consagrado presente no festival é do paranaense Sylvio Back, que terá seu Zweig: A Morte em Cena exibido. O filme mostra a passagem e o suicídio do escritor austríaco Stefan Zweig (1882-1942) no Brasil. As cidades - e os habitantes que fazem sua história - são também personagens em vários trabalhos concorrentes.
O cineasta André Klotzel mostra a história da cidade de Santos, no litoral de São Paulo, por meio de várias gerações que habitaram o lugar. Klotzel é o diretor de Marvada Carne.
A capital brasileira foi o tema escolhido por Maria Augusta Ramos em Brasília, um Dia em Fevereiro. O filme foi exibido na última Mostra Internacional de Cinema, em 1996. Por meio do cotidiano de três habitantes da cidade, a diretora procura montar um painel da vida e das relações sociais do lugar. O Rio de Janeiro será visto por meio de seus catadores de lixo reciclável em Burro-Sem-Rabo, de Sérgio Bloch. Essa é a estréia do videomaker na direção.
O litoral sul brasileiro é abordado por Mirella Martinelli e Eduardo Caron. A vida de uma comunidade de pescadores é o tema escolhido pelos dois cineastas.
Mais longe foram Monica Schmidt e Alberto Salvá. A dupla realizou o projeto de permanecer durante dois meses em um dos raros lugares do planeta onde nenhuma porta tem chave. O resultado poderá ser visto em Antártida, o Último Continente, que também concorre ao prêmio do festival.





