Uma lata dá para fazer um som. Duas, uma batucada. Com o londrinense Grupo L.A.T.A. se faz arte popular, que já foi exibida na Argentina e que, do maracatu à ciranda, viaja ao redor da terra da musicalidade brasileira.
O nome do grupo criado para formar brincantes de cultura popular traz a sigla do antigo projeto Laboratório Aberto de Trabalho Artístico, desenvolvido a partir de 2004, no Curso de Artes, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), começando a andar sozinho, nos últimos anos.
Os que ainda não conhecem o trabalho do L.A.T.A. terão a oportunidade de escutar o que o grupo tem de melhor nesta quinta-feira, às 20h30, Dia Nacional da Consciência Negra. Os brincantes se apresentam nas escadarias da Catedral, na Noite dos Tambores Silenciosos. Uma alusão ao festejo que, tradicionalmente, é realizado no Carnaval, na frente da Igreja Rosário dos Pretos, no Recife (PE). É lá que os de origem africana, ao som dos maracatus de baque virado, reverenciam os ancestrais.
Na Noite dos Tambores Silenciosos recifense, os maracatus cantam loas, que são as músicas tradicionais do folguedo, silenciando à meia-noite, com a lavagem das escadarias da igreja, banhadas com perfume. ''Ao participarmos das comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra, considero que o grupo tem essa participação fundamental dentro da cultura afro-brasileira'', avalia o psicólogo Maurício Werner, que além de coordenador do grupo, também toca na banda de rock Trilobit.
''A perda do vínculo institucional com a UEL tornou as coisas um pouco mais difíceis, mas o grupo se auto-sustenta, através dos cachês das apresentações e a contribuição dos integrantes. Estamos entrando com um projeto no Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), que considero uma maneira da cidade reconhecer o grupo'', afirma Werner. Segundo ele, mesmo independente, o L.A.T.A. tem conseguido se manter porque o trabalho está consolidado, com apresentação, inclusive, em Buenos Aires, em 2007.
A pesquisa é um dos estandartes do L.A.T.A., que investiga, além dos ritmos, a história das diferentes tradições populares. Termos como ''zoada'', ''o nosso tambor zoou'' e que aparecem na literatura dos maracatus, são redescobertos pelos participantes do grupo. ''Zoada é um termo do maracatu que significa o momento em que os tambores começam a tocar, chamando para a folia. Já a batida do maracatu foi criada para avisar que a polícia estava chegando. O começo do maracatu coincide com os movimentos pela abolição da escravidão no Brasil, por isso ele é marginalizado'', comenta o coordenador.
Além das pesquisas e shows, o L.A.T.A. ministra várias oficinas pela cidade. Os participantes contribuem com R$ 20 mas em contrapartida o grupo oferece aulas de percussão gratuitas para crianças. Vários membros conheceram e entraram para o L.A.T.A. através das oficinas.
Mesmo sem ter mais vínculo com a universidade, o L.A.T.A. fez questão de manter o nome, que tem uma identidade com o trabalho. Ele lembra o chão, a rua e a batucada, que os integrantes esperam serem ouvidas cada vez mais longe.

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