Marcelo AlmeidaMaria Izabel e seus
clientes do Passeio
Público: receita
sem segredosO que tem de parecido com o espetinho dos pontos de ônibus é o cheiro convidativo de carne assada e temperada. De acordo com Maria Izabel Bonfim dos Santos, que vende churrasquinho de gato todas as tardes em frente ao Passeio Público, o espetinho faz mesmo muito sucesso.
‘‘Vendo até 40 por dia, a R$ 1,00 cada. Só compro carne boa, ponta de peito, costela ou lombo-agulha. Coloco um pouco de amaciante para carnes e sirvo com molho de pimenta ou farinha de mandioca torrada’’, receita. Por mês, Izabel faz cerca de R$ 350,00.
Ela conta que só pode trabalhar no final da tarde para fugir dos fiscais da prefeitura. ‘‘A esta hora é difícil eles passarem por aqui, mas se pegam a gente, recolhem tudo e depois temos que pagar R$ 35,00 para reaver o material. Com este dinheiro compramos tudo de novo, nem compensa ir buscar’’, contabiliza.
Ela acha divertido um boteco com o nome de Churrasquinho de Gato e diz que gostaria de trabalhar no novo bar. ‘‘Assim garantiria que todos os filhos estudassem’’.
Os clientes ‘da rua’ são trabalhadores que passam pelo Passeio no final da tarde a caminho dos pontos de ônibus. O técnico em ar-condicionado Laércio Borges diz que não resiste ao cheirinho de carne e acaba comendo um churrasquinho como aperitivo do jantar.
Para a funcionária de uma lavanderia, Elizabeth Machado, o espetinho no final da tarde acalma o estômago. Ela mora em Almirante Tamandaré e leva mais de 40 minutos para chegar em casa. ‘‘Eu adoro, como um espetinho com farinha de mandioca para não chegar com muita fome em casa’’, conta.

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