É preciso quebrar as regras da vida
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Rodrigo Juste Duarte<br> Equipe da Folha 
O encontro entre uma mulher octagenária apaixonada pela vida e de um jovem de quase vinte anos obcecado pela morte rege a história de Ensina-me a Viver, obra de Collin Higgins conhecida mundialmente pela adaptação cinematográfica que foi sucesso de bilheteria no começo dos anos 70, e que no Brasil é apresentada atualmente no teatro, tendo Glória Menezes e Arlindo Lopes como protagonistas. A peça chega em Curitiba amanhã, em única apresentação no grande auditório do Teatro Guaíra, às 21 horas.
Apesar do espetáculo ter estreado no Rio de Janeiro há dois anos, ele vem sendo associado como parte da turnê comemorativa aos 50 anos de carreira artística de Glória Menezes, um marco que a própria atriz não havia se dado conta. A gente nunca conta os nossos anos de trabalho. Os outros é que contam para gente, conclui a atriz em meio a risos, informando que pretende trabalhar por mais 15 anos.
Quando assistiu ao filme pela primeira vez, na década de 70, ela ficou em dúvida se um dia conseguiria interpretar Maude, um tipo de mulher bem peculiar. Ela é uma personagem que viajou o mundo e viveu bastante. É diferente, irreverente, anarquista, tem a sabedoria de alguém com 80 anos, mas faz coisas de quem tem 19 junto do menino. Os valores dela são outros, explica. Na peça, quando ela se encontra com Harold, a sintonia é imediata, apesar de encontrar uma inversão nos personagens. É uma jovem de 80 anos e um velho de 19, observa.
Apesar de sensível, inteligente e rico, Harold é infeliz e desgostoso em relação à vida, por não ter conhecido o pai e viver com a mãe indiferente e autoritária. Maude lhe ensina os prazeres da vida e da liberdade. Mesmo sendo uma história de amor, Glória Menezes tem uma visão diferente a respeito. Para mim, Ensina-me a Viver está mais para uma história de relacionamento humano do que uma história de amor. O encontro é uma acontecimento na vida dos dois.
A montagem é dirigida pelo experiente João Falcão, a partir do texto traduzido por Millôr Fernandes. Ele é um diretor criativo, que faz um espetáculo que é ao mesmo tempo realista, mágico, cômico e comovente. Por isso está fazendo sucesso há tanto tempo, comenta. A concepção do espetáculo ganhou elementos circenses, projeções e uma estética de sonho e realismo fantástico, que lembra os filmes do diretor Tim Burton.


