E por falar em Cannes...
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de maio de 2008
Agência Estados 
E por falar em Cannes, se você ainda não viu ''My Blueberry Nights'', do cineasta chinês Wong Kar-wai, que já passou por alguns cinemas brasileiros, se prepare para um beijo deslumbrante. Presidente do júri do Festival de Cannes de 2006, Wong é um mestre da análise dos sentimentos. Em português, o filme se chama ''Um Beijo Roubado''. Alguns críticos opontam justamente esse beijo como um dos mais marcantes da história do cinema. Uma cena de sonho. A cantora - e agora atriz - Norah Jones adormece no balcão do café em que Jude Law lhe serve a torta de frutas do título original. O diretor posiciona sua câmera no alto para captar o momento em que Law, debruçando-se sobre o balcão, faz o encaixe perfeito para roubar o beijo de Norah/Elizabeth.
Na tênue trama de ''Um Beijo Roubado'', Jude Law faz este dono de café que vive ouvindo as histórias de amor dos clientes. Uma noite ele recebe a visita de Norah, uma jovem de coração partido com quem conversa madrugada adentro. Apaixonam-se, claro, mas a mulher, confusa e determinada a se livrar do passado, parte numa viagem pelos EUA.
Ela faz novos amigos que a ajudam a entender os caminhos do amor: um policial (David Strathairn) que não consegue abandonar a ex-mulher (Rachel Weisz) e uma sexy jogadora de cartas (Natalie Portman). Jude Law procura desesperadamente por Norah, seguindo seus passos através de telefonemas e cartas.
''É, basicamente, um filme sobre a distância. Às vezes é preciso nos distanciar milhares de quilômetros para conseguirmos nos aproximar do outro'', explica Wong.
Nos últimos anos, Wong Kar-wai muda os ambientes e os atores para seguir fazendo as mesmas perguntas que o obcecam - o que é o amor? Como ele se expressa? Como se pode viver sem ele? Como o tempo age sobre nossos sentimentos?
O filme foi feito com a colaboração do escritor norte-americano Lawrence Block. Wong recorreu a atores de língua inglesa, substituindo figuras míticas do seu universo pessoal. Em vez de Tony Leung, Jude Law. Em vez de Maggie Cheung, Norah Jones. Mera repetição, rotularam os críticos, torcendo o nariz. ''Não é um remake, mas uma adaptação'', defendeu-se o diretor.
Não há dúvida de que este homem sabe escolher (e filmar) suas mulheres. No caso de ''Um Beijo Roubado'', ele escreveu o filme para Norah Jones, por causa de sua voz. ''A voz de Norah é como um instrumento musical bem afinado. É cinematográfica. Quando se ouve a voz dela, sem ver o rosto, já é possível construir uma história. Foi o que me inspirou a fazer o filme.''


