E os surfistas dançam
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Marcel Plasse Agência Estado 
ReproduçãoPearl Jam: a melhor versão surf music do disco
ReproduçãoBeastie Boys: Nettys Girl é curiosidade
DivulgaçãoPato Banton: faixa engraçada dedicada à Surfrider
Os sons de uma antiga dança nativa americana dedicada aos golfinhos e uma oração havaiana de amor e respeito pelo mar, abrem e fecham a coletânea MOM - Music for Our Mother Ocean. O disco é o que se pode chamar de verdadeira trilha de verão. Reúne 21 bandas em torno da causa da Surfrider Foundation, dedicada a limpar e preservar as praias da poluição.
Organizada pelos surfistas Eddie Vedder e Perry Farrell, ambos membros da Surfrider, a coletânea traz, entre outros, Pearl Jam, Ramones, Helmet, Soundgarden, Pato Banton e Beastie Boys em faixas sobre os prazeres e as mazelas do mar. Atleta, sua gravadora teve o cuidado de lançá-la numa embalagem de papel, porque a embalagem de plástico dos CDs não é reciclável.
Do reggae ao punk rock, MOM lança mão dos ritmos favoritos dos vídeos de surf. Apropriadamente, o projeto surgiu quando a trilha do filme surf Endless Summer II, lançada pela Surfdog Records, incluiu informações sobre a Surfrider em seu encarte. Depois dessa cortesia, a Surfdog recebeu carta branca da fundação para preparar a compilação.
Nas 21 faixas, alternam-se covers e músicas originais dentro da temática caiçara. Nem todas as faixas são inéditas. I Cant Surf, de Reverend Horton Heat; e My Wave, do grupo Soundgarden, foram incluídas em álbuns recentes dos artistas.
Clássicos regravados Os covers de surf music representam o principal atrativo do disco. A melhor versão coube a Pearl Jam, que toca Gremmie Out of Control, uma música obscura da banda Silly Surfers. Contido, Eddie Vedder chega a lembrar o estilo vocal dos surfistas de 1963. A música tem até percussão de palmas em seu break instrumental.
Os Ramones entram com California Sun, clássico surf dos Rivieras, que há anos faz parte do repertório de seus shows. A banda punk californiana Pennywise refez SurfinUSA, a música mais regravada dos Beach Boys, numa versão bastante acelerada.
O grupo australiano Silverchair registrou SurfinBird, conhecido hit dos Trashmen, numa produção de Jack Endino. De forma curiosa, Silverchair, que sempre sonhou ter surgido em Seattle, consegue fazer SurfinBird soar mais punk do que as famosas regravações dos Ramones e Cramps, nos anos 70.
Por fim, o guitarrista Gary Howy, destaque da trilha de Endless Summer II dá um toque metal ao instrumental Wipe Out, dos Surfaris - música que já teve até versão hip-hop pelos Fat Boys, na década passada.
O grupo nova-iorquino Helmet também contribui com um cover, mas sua escolha não foi surf music dos anos 60. Helmet toca uma versão gutural e metálica do hit Army of Me, de Bjork.
Outra curiosidade da coletânea, a faixa Nettys Girl, dos Beastie Boys, surgiu como um delírio de Mike D. durante uma brecha nas gravações do álbum Check Your Head. Até então, era só disponível no vídeo Skills to Pay the Bills e no raro lado B do single Pass the Mic, lançado pelo grupo em 1992.
Ritmos jamaicanos Há ainda gravações da Brian Setzer Orchestra, nova banda do ex-líder dos Stray Cats, uma faixa ao vivo do Primus, uma inédita do Porno for Pyros, o country rock alternativo da cantora Jewel e do grupo 7 Mary 3, além do punk new school de Sprung Monkey, Blink-182 e Everclear.
Mas são os ritmos jamaicanos que dominam o restante do disco, em participações de Pato Banton e das bandas californianas Commom Sense, No Doubt e Sublime. Pato Banton dedica o reggae Mama Nature, a faixa mais engraçada da coletânea, à Surfrider, citando o nome da organização, enquanto alerta para a deterioração da camada de ozônio, a poluição e outros desastres da natureza.
No Doubt, grupo de ska que está na moda, contribui com SailinOn, uma faixa dub, envolta por ecos que lembram o lamento de golfinhos no mar. É a melhor música do disco MOM - Music for Our Mother Ocean, talvez para mostrar que No Doubt não se resume ao rosto bonito da vocalista Gwen Stefani. Bad Fish, por sua vez, é a última lembrança da excelente banda de ska Sublime, de Long Island. Infelizmente, o vocalista Brad Nowell morreu de overdose antes que o disco chegasse às lojas.


