Quem ainda ficou para narrar a história da galáxia? Contam-se nos dedos, mas não preenchem duas mãos cheias. A morte de Paul Newman há uma semana deixa Hollywood sem um de seus astros mais brilhantes. E reduz ainda mais o número de atores e atrizes de formato clássico, gente que marcou toda uma época de intenso brilho.
Como Kirk Douglas, 91 anos. Talvez seja o representante máximo desta gloriosa geração. Há um bom tempo afastado da vida artística e pública, vez ou outra ainda aparece, quase sempre ao lado do filho Michael. Ator da categoria self made, forjou trajetória sólida sem jamais desprezar papéis arriscados como em ''Glória Feita de Sangue'' e ''Spartacus'', de Stanley Kubrick, também produzidos por ele, ou como Van Gogh em ''Sede de Viver''. Depois de três nominações ao Oscar, ganhou um, honorífico, pelo conjunto da carreira.
Também na casa dos 90, e mais oscarizadas, são as irmãs Olívia de Havilland e Joan Fontaine. As duas viveram também uma forte rivalidade pessoal, amplificada quando disputaram o Oscar de melhor atriz, obtido por Fontaine em ''Suspeita'', sua única estatueta embora seja mais lembrada por ''Rebecca''.
Já Olívia, a eterna Melanie de ''... E o Vento Levou'', recebeu dois Oscars. Joan mora em Carmel, Califórnia, e Olívia pouco se deixa ver em Paris. Esteve em Hollywood em 2006, onde recebeu homenagem. Diz a lenda que o segredo da longevidade de ambas é que nenhuma quer morrer antes da outra. Esta história dá filme...
Mickey Rooney, com 87, mais de 200 filmes no ativo, foi um dos mais rentáveis produtos hollywoodianos ao lado de Judy Garland. Acaba de fazer uma turnê pelos EUA com a mulher.
Miniestrela nos anos 1930, Shirley Temple deixou de ser atriz tão logo completou os 30, mas ainda hoje é reverenciada como um dos ícones da idade de ouro de Hollywood. A última aparição pública foi há dez anos para os 70 anos da Academia. Vive com a família na Califórnia.
Da mesma geração de Paul Newman, aos 76 anos Elizabeth Taylor, depois de tantos maridos quanto operações plásticas, está longe das câmeras de cinema desde 1994, quando atuou em ''The Flintstones'', mas fez televisão até recentemente. Ainda é uma das grandes divas do cinema (contracenou com Paul Newman em ''Gata em Teto de Zinco Quente'', recebendo Oscars de melhor atriz por ''Disque Butterfield 8'' e ''Quem Tem Medo de Virginia Wolf?''). Dedica-se a causas humanitárias, entre elas a luta contra a Aids, doença que matou seu melhor amigo, Rock Hudson.
Menos famosa por si mesma do que pela união com Humphrey Bogart, aos 83 Lauren Bacall é hoje atriz de respeito, considerada uma das grandes. Célebre pela frase ''se precisar de mim, assovia'', que disse, ou melhor, sussurrou a Bogart em seu primeiro filme, ''Uma Aventura na Martinica'', sua elegância e carisma passearam por muitos outros clássicos, entre eles ''À Beira do Abismo'', ''Paixões em Fúria'' e ''Como Agarrar um Milionário''.
Embora considerados um pouquinho aquém da grande constelação, outros nomes que já ultrapassaram os 80 desfrutam sempre do mesmo respeito e admiração, como Doris Day (84), Tony Curtis (83), Ernest Borgnine (91), Eli Wallach (93), Jean Simmons (79) e Jerry Lewis (82). Além de Newman, 2008 colocou um ponto final na vida e obra de dois grandes da tela, Richard Widmark e Charlton Heston.
E assim caminha a humanidade...

mockup