E o Paraná foi à praia...
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quinta-feira, 13 de março de 2003
Equipe da Folha 
Curitiba Mesmo sem tradição de moda praia, o Paraná já tem sua própria cara na criação de peças para serem usadas no lugar mais democrático que existe. A estilista Janaína Costa, da grife Lagoon, trouxe a sensualidade latina das rumbeiras para a sua atual coleção e conseguiu mostrar a consolidação da marca na passarela do Curitiba Fashion Art.
Biquínis mínimos e grandes, maiôs cavados, estampas alegres, aplicações de flores e muitos tricôs ofereceram ao público especializado um exemplo de como o Estado tem potencial. A visibilidade fora de nossas fronteiras, sonhada pelos criadores da mostra, Nereide Michel e Paulo Martins.
A Lagoon traçou um caminho original. Janaína adotou um tema bom e soube transportá-lo para uma moda fácil de vender. É o conceitual dando passagem ao comercial, sem perder sua essência.
Se existem pedras no meio do caminho dos criadores de moda paranaenses o que não é uma característica regional e sim mundial a grife mostra estar consciente. Para isso abusou das cores nada batidas. Os verdes pistache e militar indicam uma sintonia com a onda militar, sem caricaturas.
A moda praia Lagoon é séria quando tem que ser. Faz peças maiores para quem não quer mostrar o bumbum, ou para quem já não tem derriére para tal. E faz elegância quando alia o tricô e o crochê aos biquínis e maiôs.
Que malha combina com praia qualquer mulher chique sabe. Quem não sente frio nos finais de tarde à beira do mar ou da piscina? Para isso a grife mostrou casacos curtos com capuz bem básicos. Fez também tops de tricô que servem para as horas em que não se está mais ao sabor do sol, mas quer se continuar o dolce far niente.
O bom momento da marca na primeira edição do evento mostrou o conceito de contemporaneidade. Fugindo do seu próprio umbigo paranaense a Lagoon dá o tom necessário para se produzir moda em grande escala no Brasil: não ser de lugar nenhum e ser de todos os lugares ao mesmo tempo. A época é de agregar. E não de pirar. Isto não vende, não gera empregos e não acelera a economia, o ponto mais nevrálgico da indústria da moda brasileira. (A.C.G.)


