Imagem ilustrativa da imagem E o palhaço, o que é?
| Foto: Fotos: Gustavo Carneiro
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Oscar Espínola preparando-se para entrar na pele do palhaço Xupetin: literalmente, ele "foi embora com o circo" aos 12 anos, mudando para sempre sua vida e sua imagem
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Desde a última terça-feira (7), a cidade respira circo. Também pudera, mais de 80 espetáculos estão na programação do XII Festival de Circo de Londrina com artistas do Brasil e outros países, o evento segue até domingo (11). Londrina foi tomada por acrobatas, trapezistas, malabaristas e muitos, mas muitos palhaços. São artistas que, em geral, não têm parada, pois vivem de cidade em cidade atrás do público. Experiências que, no entanto, rendem histórias, laços, alegrias, dificuldades, renúncias e mais uma dúzia de outras conquistas.

Uma dessas histórias é de Oscar Espínola, que na cidade de Assunção, no Paraguai, aos 12 anos, viu o circo pela primeira vez. Nada de glamoroso ou requintado, era uma trupe sem lona. Daquelas mambembes que, de cidade em cidade, paravam nas praças e feiras para fazerem números circenses na rua. Numa dessas paradas, uma simples participação mudaria o rumo de uma vida inteira. "Ao final do número, em que puxava a cadeira do palhaço, ele me disse que eu levava jeito e podia ser um. Perguntei como faria para isso acontecer. Ele me respondeu: só ir embora com o circo. Eu fui", relembra ele, hoje com 60 anos, que ainda dá vida ao personagem Xupetin, que em espanhol significa pirulito.

Começavam aí, as descobertas e os encantos por esse universo circense e a vida nômade. "Em troca de alimentação, estadia, os profissionais me ensinavam as mais variadas técnicas. No espetáculo, vendia doces e balas." Nesse tempo, a proximidade com o palhaço Bossa Nova, que ele lembra com saudade, mostrou que era aquele o caminho que gostaria de seguir. "Montamos uma dupla", recorda-se. Certo do que queria, a vontade e determinação o fizeram buscar cursos profissionalizantes circenses e de teatro, que lhe renderam prêmios de palhaço revelação com pouco mais de 16 anos. "Mas a vida do circo ensina pela vida, muito mais que qualquer livro."

Seis anos depois de ficar sem dar notícias à família, depois de rodar toda a Argentina, voltou para casa para tirar passaporte para poder trabalhar no Brasil. "Quando cheguei, minha mãe passou mal, pois todos me davam como desaparecido." Já no estado de São Paulo, no Circo Giglio – Circo das Feras, o mais conhecido na época por ter vários animais como elefante, camelo, hipopótamo, dava início à sua carreira solo profissional e voos rasantes na vida amorosa. Casou-se com a filha do dono do circo e teve dois filhos, ambos adultos atualmente e profissionais do picadeiro. Com eles, passou por diversos circos de renome como Tihany, Orlando Orfei, Vostok. Em outra fase da vida, casado pela segunda vez, passou ainda pelo Circo Espacial e iniciou, junto com o ator Marcos Frota, O Grande Circo Popular do Brasil.
"Com todos os circos conheci o mundo, lugares lindos, lugares pobres, pessoas de todos os tipos. Casei três vezes, morei em vários locais. A lona é viciante, pois existe a novidade todo dia e o desafio de cada cidade. Mas tinha como objetivo que não ficaria para sempre", revela. Decisão que aconteceu em 1998, quando tinha 42 anos. "Fui um artista respeitado e gostaria que lembrassem de mim assim. Se foi difícil a decisão? Não, não foi. Acredito que vida não precisa ser difícil, talvez uma característica do palhaço. E nunca vou deixar de ser um, sou um eterno laçador de alegrias. Quando o visto, ele me domina. Se eu nascesse 10 mil vezes, todas elas ia querer ser palhaço." Hoje, Oscar possui uma casa de festas infantis em Londrina onde realiza vários números, além de participar de festivais e eventos. Ele se apresenta neste sábado (10), às 17 horas, no Zerão, com o espetáculo "Alegria Alegria".

SERVIÇO
O Festival de Circo de Londrina
segue com diversas atrações, incluindo as gratuitas em vários espaços públicos. Veja a programação completa no site www.circolondrina.org/festival.

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