E o cinema renasce...
Zeca Corrêa Leite
Curitiba
Julio CovelloMiguel Fontanet Asin, presidente da UCI, e Luiz Antônio da Silva, gerente de marketing: cinemas cheios são fenômeno mundialSilvester Stallone e outros ídolos musculosos da tela que se cuidem. A era do Rambo acabou. O público está sedento por um tipo de cinema que não traga mais a violência gratuita e tenológica - ele quer se emocionar, fazer parte da história, como acontecia nos anos 50. Titanic, por exemplo, tem apelo emocional, romance, fantasia e realidade, mas é claro, seguindo os moldes atuais de um produto perfeito.
Essa é a ordem que vai reinar nas telas, acompanhando a nova tendência de comportamento dos consumidores. E o cinema, por sua vez, deverá voltar a ter suas salas sempre cheias. O prenúncio desse novo tempo partiu do presidente no Brasil da United Cinemas International - UCI, Miguel Fontanet Asin. A UCI é uma empresa do grupo multinacional Paramount Universal.
Miguel Asin veio a Curitiba ver de perto o sucesso das dez salas do Estação Plaza Show, que na semana passada teve 30 mil espectadores passando por suas catracas, número recorde no período verificado em toda a rede.
Isto quer dizer que superou as salas da Inglaterra, Irlanda, Espanha, Portugal, Alemanha, Itália, Polônia, Japão, Áustria e China. Na semana anterior Curitiba tinha ficado em segundo lugar, perdendo a primazia para a Irlanda.
MultiplexA UCI atua somente nas grandes cidades. Ela se utiliza de um novo conceito, o Multiplex, que concentra entre dez a 14 salas de cinema. As prioridades desses locais são o conforto, qualidade técnica e limpeza. Com horários diversificados permitem ao espectador ter a oportunidade de assistir a um filme, sem esperar muito tempo pelo seu início.
Dentro desses cuidados inserem-se vendas antecipadas de bilhetes, como acontece com o Titanic, campeão absoluto de bilheteria. O sistema Multiplex, inaugurado primeiramente em Curitiba, começa a se expandir no Brasil: já chegou a São Paulo e Rio de Janeiro. Os próximos investimentos serão nas cidades de Ribeirão Preto, Recife e Londrina.
Criado há cerca de 15 anos nos Estados Unidos, como um projeto ousado, pois não havia nada igual até então, o Multiplex mostrou ser um ótimo negócio. Razão pela qual surgiu uma nova versão, ampliada, chamada de Megaplex. Estes têm um mínimo de 14 salas. O Rio de Janeiro irá comportar em breve um Multi e um Mega, com 18 salas.
RenascimentoO cinema vive dias de renascimento. É um fenômeno mundial, assegurou Fontanet Asin. Essa volta às salas para se encantar com a telona segue padrões mais ou menos idênticos nas mais diversas partes do mundo. As diferenças de um país a outro são mínimas, comentou.
A redescoberta da magia das salas - não há vídeo ou TV que supere a tela - tem muito a ver com os quesitos de qualidade de projeção, sonorização, comodidade. O brasileiro que sempre penou com a falta destas qualidades e está ávido em voltar aos cinemas, reatará facilmente esse namoro.
Lançando mão de um argumento que não deixa espaço para réplica, Asin comparou: Deixar de ver um filme no cinema, para assistir na TV - mesmo as mais sofisticadas - significa perder 40 mil linhas de definição da imagem.





