E O BOLERO RENASCE
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segunda-feira, 12 de janeiro de 1998
Sergio Berrocal France Presse 
Arquivo FolhaLuis Miguel: responsável pela volta do boleroMais jovem do que nunca, com o empurrão decisivo que acaba de dar-lhe no mundo inteiro o mexicano Luis Miguel, o bolero está se impondo inclusive no Brasil, país onde a língua portuguesa é fronteira natural até para os maiores da música hispânica.
Luis Miguel, contudo, está realizando esse milagre, depois que o brasileiro Caetano Veloso lhe abriu o caminho com um disco sobre boleros que convenceu os mais incrédulos de que este ritmo pode triunfar no país do samba. E agora existem até boleros em português, com sotaque de samba.
Mas há mais, nesta nova moda que traz para a primeira página da atualidade o velho Armando Manzanero, autor de alguns dos melhores momentos do disco de Luis Miguel, com arranjos musicais que lembram aquelas grandes orquestras dos tempos da música dançante.
Apaixonante Como ontem a do chileno Lucho Gatica, a voz do mexicano Luis Miguel provoca paixões hoje em todos os cantos. É a nova voz de um eterno bolero cuja paternidade os cubanos reclamam, com um primeiro esboço dessa eterna melodia nascido na cidade cubana de Santiago em 1883, confeccionado por um mulato e melômano chamado José Sanchez.
Esta nova moda do bolero - é uma delícia escutar o jovem Luiz Miguel dar sua própria interpretação a Voy apagar a luz ou Contigo aprendi, de seu compatriota Armando Manzanero - pode ter antes do que alguém imagina um prolongamento cinematográfico.
Os cubanos andam preparando um filme que conte a história desta música e do samba. E há também um realizador mexicano, Gabriel Retes, que tem entre seus projetos um roteiro saído diretamente de um dos mais famosos boleros conhecidos, Aquellos ojos verdes.
Mas é certo que há muito tempo que os ritmos latino-americanos, especialmente o bolero, são utilizados como música de fundo por grandes cineastas não latino-americanos, como o norte-americano Woody Allen.
Allen é talvez o maior nesta utilização. Chegou a uma maestria tal que o uso das melodias mais sentimentais em seus filmes que às vezes o espectador não sabe se a emoção que o embarga vem das verdades maravilhosamente enfeitadas que o realizador lhe serve ou das sinuosas melodias que acompanham os momentos chaves.


