E o Ballet brilha
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 1996
Erika Pelegrino 
A Companhia de Ballet de Londrina surpreendeu o público e a crítica peruana no Festival de Dança de Trujillo, no Peru, realizado de 4 a 16 deste mês. O elenco retornou da viagem trazendo muitos aplausos e convites para retornar. Em meio a diversas dificuldades cotidianas, a companhia desfrutou do prazer de ser reconhecida artisticamente e de ser o alvo das atenções da imprensa e das pessoas que assistiram ao espetáculo Elogio.
O sucesso foi tamanho que o elenco - 13 bailarinos no total, sendo sete mulheres e seis homens - que a princípio faria apenas quatro apresentações, acabou fazendo seis. Leonardo Ramos, diretor da companhia, conta que companhia viajou carregando uma grande expectativa e diversas apreensões. A maior delas com relação ao fato de o espetáculo ser contemporâneo.
Em um primeiro momento ficamos assustados porque seríamos os únicos - dentre cinco países participantes - a apresentar um espetáculo contemporâneo, em meio a uma avalanche de dança clássica, comenta Leonardo Ramos. Mas ao contrário do que esperavam, já o primeiro contato foi muito satisfatório.
Técnica Nós chegamos dois dias antes do Festival começar, o que possibilitou aos nossos bailarinos participarem de aulas com os outros bailarinos e mostrarem que nós também temos uma técnica muito boa, conta. Segundo ele, os peruanos, panamenhos e cubanos são muito bons em técnica de dança. E nós mostramos que nos equiparamos a eles, diz.
Leonardo Ramos explica que a companhia tinha um certo receio, porque é comum os clássicos considerarem os trabalhos contemporâneos uma coisa fácil de fazer, uma forma de facilitar a vida. Um espetáculo contemporâneo, o que já difere do que Peru, Panamá, Cuba e Equador - países participantes do Festival - estão acostumados a ver e a fazer, como se não bastasse a trilha sonora era composta em grande parte por música erudita.
Chopin, Brahms, Prokofier e Cesar Frank são os compositores cujas obras acompanham o Elogio. Ao lado dos eruditos, um contemporâneo consagrado: Astor Piazzola. Estes ingredientes arracaram aplausos da platéia e renderam diversas matérias favoráveis na imprensa.
Os bailarinos de Londrina levaram mais uma novidade para os peruanos, o nu em um espetáculo. Não é tradição deles apresentarem nus em espetáculos. Isto também nos deixou apreensivos, conta Leonardo Ramos. A resposta dos peruanos foi bem melhor do que imaginavam.Além dos aplausos intensos, aconteceram fotos bizarras em torno disto, conta o diretor da Companhia de Ballet de Londrina. Muitas pessoas fotografaram o nu masculino e depois venderam as fotos na porta do teatro.
Surpresa Isto não era tudo. Os bailarinos ainda podiam surpreender mais. Eles apresentaram além de Elogio, o espetáculo ...E..., que se trata de uma versão contemporânea do Pas-de-Deux de Romeu e Julieta. Os peruanos estão acostumados com versões tradicionais de Shakespeare, afirma. Mais uma vez a companhia arrancou aplausos.
A companhia aproveitou a viagem para atender um outro convite, apresentar o espetáculo Elogio, em Lima. Nós estávamos adiando esta apresentação por questões financeiras, afirma Leonardo Ramos. Quando surgiu o convite para o Festival de Dança de Trujillo, aproveitamos para ir até Lima.
Em Lima os bailarinos fizeram duas apresentações do espetáculo Elogio. Depois de tanto sucesso, a Companhia de Ballet de Londrina recebeu convite para participar do Festival de Dança de Lima em maio do próximo ano e o diretor da companhia, foi convidado para fazer duas montagens no Peru e uma nova montagem de ...E....
Para tudo isto, Leonardo Ramos afirma que é necessário que haja um orçamento a longo prazo para a companhia, que hoje recebe apenas os salários dos bailarinos e infra-estrutura da Prefeitura. Estamos com uma grande expectativa com relação à nova administração de Londrina, afirma.


