É mais seguro pagar outra passagem
Para vir de Dois Vizinhos (Sudoeste) para participar do Festival de Música, o estudante Gabriel Gomes Teixeira, 15 anos, precisou enfrentar mais de dez horas de viagem em dois ônibus cheios. Pior sorte teve o violoncelo que trazia, emprestado pela prefeitura, que veio embaixo de várias malas, dentro de uma capa maleável. ''Chegou inteiro, mas na volta vou tentar levá-lo junto comigo'', comenta o jovem.
Gabriel até encontrou facilmente um táxi na rodoviária, mas quase desistiu daquele pequeno carro quando pensou que teria que encaixar ali o cello e o contrabaixo de seu amigo. ''Baixamos o banco da frente, deitamos os instrumentos e viemos apertados no espaço que sobrou no banco de trás'', diverte-se.
Já o violoncelo da brasiliense Lucimary do Valle pôde viajar com mais conforto: antes de ser despachado no aeroporto, foi colocado dentro de uma caixa de fibra de vidro. ''Já viajei muito de ônibus com ele, com capa comum e deixando-o no bagageiro. Mas hoje em dia é mais seguro pagar outra passagem para o instrumento'', recomenda.
Ela revela que os oito quilos que carrega nas costas há 30 anos (cinco do instrumento, dois de partituras e um da capa) já lhe causaram uma contratura no ombro direito. ''Tive que parar de tocar e até de dirigir por um tempo'', conta.
Mas Lucimary garante que todos os esforços em nome da música são válidos. ''O violoncelo já faz parte de mim, é um membro do meu corpo. Tanto que nem sinto seu peso.'' (Adriana Ito)





