E mais
Zade Rosenthal/DivulgaçãoEra uma vez, na pequena cidade de Harmon, Califórnia, um mecânico boa praça e não muito dotado de cabeça. Na noite de seus 37 anos, voltando para casa, ele, George Malley, vê um estranho facho de luz no céu, perde a consciência e quando acorda se transformou numa enciclopédia ambulante. Deus ? OVNIs ? O fato é que, quanto mais o QI de George aumenta e mais ele armazena conhecimentos, mais complicações aparecem: os amigos duvidam, o FBI mete o nariz. Quem o conforta são a namorada e o médico da cidade. Uma revelação surpreendente vai alterar o rumo dos acontecimentos. Sem grandes recursos, Fenômeno não deixa de conter certo charme meio caipira, oferecendo um misto de magia, mistério e suspense em torno do personagem vivido por John Travolta. O diretor Jon Turteltab tem um precedente simpático nesta área de situações insólitas, complicando a vida de Sandra Bullock em Enquanto Você Dormia. Com muita sinceridade, o filme tenta explicar o equilíbrio entre a insaciável sede de saber e o conhecimento adquirido, em harmonia com seres e coisas ao redor. Nem sempre consegue, mas não compromete. Fenômeno tem um tanto da aura mística de Campo dos Sonhos, mas o melhor tempero vem da influência de Arquivo X.
Colcha de RetalhosO título traduzido é de rara felicidade, já que ninguém deve ter dúvidas de que se trata de um clone mal-acabado. O que acontece quando Somente Elas resolvem comer uma porção de Tomates Verdes Fritos ? Nada de muito interessante, a não ser um filmezinho meio assim sem graça, envergonhado, como se tivesse plena convicção de que alguém já fez coisa muito parecida. E bem melhor. Essas reuniões de mulheres, chorosas umas, corajosas outras, arrependidas mais algumas tantas, já renderam momentos muito mais inspirados, bem-humorados e enternecidos do que o patchwork mal alinhavado pelo diretor. Resta o prazer de usufruir da companhia de Anne Bancroft e matar as saudades de Jean Simmons, uma das expressões mais belas e suaves do velho star system .
A Caçada
Já que o assunto é nada de novo sob o sol, eis aqui um esquálido descendente de Acorrentados, que Stanley Kramer fez há 40 anos, com Sidney Poitier algemado a Tony Curtis numa fuga alegórica onde o centro da discussão era o racismo. Por coincidência, em A Caçada a dupla fugitiva também reune um negro (Laurence Fishburne) e um branco (Stephen Baldwin). Mas não são seres humanos comuns, com um passado tortuoso tentando reavaliar suas vidas - este até seria um argumento mais decente. Ambos são candidatos a super-heróis, o que torna o thriller previsível e pouco inteligente, com um suspense cansado e ação eletrizante de praxe. Outro problema é a indecisão do diretor Kevin Hooks: A Caçada está sempre alternando comédia (de humor duvidoso) e drama (de violência exacerbada, por conta da Máfia cubana). E nesta contradição, as coisas vão se diluindo, diluindo...O público americano foi impiedoso e levou o título original (Fled) ao pé da letra, fugindo dos cinemas. Hollywood começa a apostar alto no rosto (que lembra o de Jane Russell) e principalmente nas formas (idem) da mexicana Salma Hayek, lançada em O Beco dos Milagres.





