Muito já se escreveu sobre a falta de roteiros competentes em grande parte das sequelas, especialmente quando as sagas atingem o quarto ou quinto capítulo. O problema central de ''Todo Mundo em Pânico 4'', no entanto, não é exatamente o roteiro. E isto pela estupefaciente razão de que o filme carece por completo de uma trama minimamente articulada que permita seguir um relato cinematográfico.
Trata-se unicamente de jogar o jogo chamado metacinema (em bases bem toscas, se é que me entendem), quer dizer, uma sucessão quase frenética de paródias a outros filmes, programas de televisão, publicidades e personalidades públicas. Nesta quarta parte de uma franquia surgida há seis anos como aposta satírica em cima de filmes de terror, não há qualquer intenção de construir uma história com linhas próprias.
Há uma rudimentar sucessão de anedotas escatológicas, textos com duplo sentido. A tentativa de ser engraçado se faz em cima de misoginia e de acenos politicamente incorretos o diretor, como no terceiro da série, é o anódino David Zucker. O principal suporte é a constante zombaria da versão de ''Guerra dos Mundos'', esta última de Spielberg. No caso, os protagonistas são Craig Bierko e Anna Faris, ele fazendo um apatetado Tom Cruise, ela a estereotipada loura tonta.
Há para todos os paladares, de baixa à baixa exigência. Referências explícitas a ''Menina de Ouro'', ''O Grito'', ''A Vila'' e, para não perder a oportunidade, um idílio à ''Brokeback Mountain'', mas por conta de gays afroamericanos. E como deixar de lado o Viagra e seus efeitos, ou o fenômeno dos iPod, ou uma cutucada no show popular de Oprah Winfrey (a visita de Tom Cruise pulando no sofá). Há quem goste. E também do desfile dos ôparticipantes especiais", como o ídolo do basquete Chaquille O'Neal, o veterano da saga, Charlie Sheen, Carmen Electra, Cloris Leachman, Bill Pullman, Michael Madsen e Leslie Nielsen.
Rodado em vídeo de alta definição, com uma coleção de gags sem qualquer autonomia de vôo, ''Todo Mundo em Pânico 4'' não contém uma única passagem criativa ou surpreendente em seu processo de reciclagem. Descontados 8 minutos de créditos finais, o filme dura 75. É muita coisa. (C.E.L.J.)

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