Não deu para a paranaense Grazielli Massafera botar a mão em um milhão de reais, prêmio do Big Brother Brasil (BBB) 5. Mas a participação da modelo de 22 anos no programa de televisão movimentou a cidade de Jacarezinho (153 km de Londrina), principalmente no dia da decisão do jogo. Grande parte da cidade de 39 mil habitantes que completa 105 anos no sábado parou para torcer por Grazi anteontem à noite. Mais de cinco mil pessoas se reuniram na praça da Vila São Pedro, bairro onde mora a família da BBB. Na cidade, televisões ligadas em bares e restaurantes. Com a noite quente, pessoas se acomodavam nas sacadas de casa, com o aparelho ligado.
Enquanto parte da família de Grazi o pai Gilmar, a mãe Cleuza, irmãos, tios e amigos viajaram para o Rio de Janeiro para acompanhar o desfecho do BBB ao vivo, outros parentes e amigos ficaram em Jacarezinho, votando e torcendo por ela. Como a avó paterna Maria Aparecida Massafera, 76, chamada de vó Lula. Por volta das 19 horas, ela aguardava sentada, na copa de casa, vestindo a camiseta com uma foto da neta.
Dona Lula não pôde viajar para o Rio de Janeiro, devido a problemas de artrose. ''Não aguento ficar em pé. Se aguentasse, pensa que não ia mesmo?'', disse, ao receber a reportagem da Folha. Depois, falou com entusiasmo sobre a performance de Grazielli e contou detalhes de sua vida.
''Todo mundo ficou muito alegre quando ela foi chamada. E ela se comportou muito bem lá na casa!'', frisa dona Lula. Para a avó, Grazielli cativou o público por ser uma garota humilde. ''Ela é boa, não ofende ninguém na casa. E sempre foi assim. Na tevê, mostra o jeitinho dela mesmo'', diz. Sobre a infância da neta, a avó recorda: ''Toda vida ela foi uma menina alegre''.
Sobre o relacionamento da moça com Alan, outro BBB, a avó é direta: ''Acho que vai dar namoro. No começo eu não gostava disso, mas ele foi excelente com ela. Salvou minha neta por duas vezes''.
A trajetória que a levou a ganhar os concursos de Miss Paraná e Miss Beleza Internacional no ano passado começou ainda na infância. ''Desde pequena ela participava de concursos de boneca viva, de rainha de rodeio, e ganhava'', conta.
A casa de dona Lula é vizinha à que mora a mãe, costureira, e o irmão mais novo de Grazielli, Alexandre, 4. Os pais são separados há 14 anos. Ele é pedreiro e mora em Paranaguá. Casou novamente e também teve outro filho, Juninho, 10. O irmão mais velho é Alecsandro, de 26 anos.
Na casa da avó, o entra e sai de parentes e amigos é constante. Tudo para ver como estão os preparativos. As primas Dhaiany, Giovana, Flávia e Drielly estão prontas para irem à praça (onde foi montado um telão), vestindo camisetas da prima famosa. Enquanto conversavam, mostravam pôsteres e fotos de Grazielli.
É chegada a hora de ir para a praça, onde o público se aglomera para assistir à final do programa. A duas horas do início da transmissão, a praça do bairro estava bastante movimentada. E rapidamente ficou lotada. Para ver o telão ou aparecer na tevê (a festa foi transmitida em flashes ao vivo em rede nacional), o público subiu em árvores e caminhões e se amontoou próximo à família de Grazielli. Mais um grupo com camisetas estampadas chega para a festa. São outros tios, primos e tias de Grazielli. Ah, a cachorra de Grazielli, Letícia, também estava lá, no colo do primo Émerson.
Durante o programa, a torcida não parava. A cada aparição da modelo no telão, a torcida gritava. No final do programa, quando o apresentador Pedro Bial anunciava os mais de 32 milhões de votos, aumentava a expectativa. ''Ela vai ganhar. Estão dizendo que ela está na frente'', ouvia-se. Mas a decepção tomou conta da praça quando Jean Willys foi anunciado campeão. A torcida calou, mas aplaudiu muito quando a paranaense deixou a casa junto com o professor baiano.
Tia Cleuza Maria não esconde a decepção, mas ainda assim comemora. ''A gente queria o primeiro lugar, mas valeu. Foi bom demais, ela venceu. Desde menina ela buscou coisas novas e lutou para ser alguém na vida. Agora não vai ser diferente''. Vó Lula não se deixou abater e disse que vai esperar a neta com churrasco e macarronada. ''Não estou triste não. Ela fez muito bonito lá dentro''.

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