É grave, doutor!
É grave, doutor!
Joel Gehlen
Foi decepcionante ver Paulo Autran em O Crime do Dr. Alvarenga, espetáculo de maior apelo popular mostrado no 8º Festival de Teatro de Curitiba. Nem o ator consagrado e sabidamente competente, conseguiu segurar uma peça pífia, condescendentemente classificável como um sai de baixo no Guaíra, o teatro de toda a medianíssima classe média curitibana. Nos seus piores momentos, faz o pastelão dominical de Falabella e Cia. parecer sofisticado.
O espetáculo conta a história de Osvaldo, pai de Mauro Rasi, um dramaturgo frustrado cujo grande sonho é ver uma de sua obras montadas pelo filho famoso. Desejo que Mauro satisfaz como presente de aniversário. O texto de Osvaldo conta como o médico Alvarenga mata a mulher para ficar com sua ajudante. Entre realidade e ficção, o fracasso é constrangedor. Melhor seria o diretor de Bauru ter montado o drama original do pai. Ruim, por ruim, antes o autêntico que o falso. O mais trágico é o público delirando, se acabando, em um Guairão lotado às tampas. Felicíssimo e redondamente enganado. Isso é um crime, dr. Paulo - ops! - Alvarenga.





