E Deus criou a mulher
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segunda-feira, 16 de novembro de 1998
Simone Mattos 
Os cabelos loiros e os lábios carnudos de Brigitte Bardot redefiniram o conceito de sensualidade feminina quando ela estreou nas telas de vários países com E Deus Criou a Mulher, em 1956. Este será um dos filmes apresentados na mostra que inicia nesta segunda-feira, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Curitiba.
Durante a semana, serão exibidos também O Príncipe e a Parisiense, As Grandes Manobras, Vingança de Mulher e o documentário As Canções de BB, produzido em 1984 para a televisão francesa. Na quinta-feira, à meia-noite, a Rádio Educativa apresentará um especial da atriz, onde as pessoas terão a chance de ouví-la cantando.
Camille Javal, que adotou o nome artístico de Brigitte Bardot, foi descoberta ainda adolescente, em 1952, pelo jovem diretor Roger Vadim. Ele viu sua foto na capa da revista Elle e os dois se casaram meses depois. Após cinco anos de convivência e alguns filmes, Brigitte e Vadim se separaram.
Os filmes feitos nesta época, entretanto, haviam sido o suficiente para que ela se tornasse um símbolo erótico, fascinando e escandalizando as platéias dos cinco continentes. As telas de cinema até então nunca tinham visto tanta ousadia quanto suas cenas de sensualidade e nudez. Nesta época, ela já era a atriz de cinema mais famosa fora da América.
Sua personalidade impulsiva, sensual e passional e seu jeito despreocupado com o futuro fizeram escola. A nudez indiferente, maliciosa e de aparência infantil, misturadas a uma sensualidade desinibida e despretenciosa, provocaram excessivas reportagens sobre sua vida íntima. O divórcio de Vadim e seus muitos namoros e casamentos sucessivos inflamaram a opinião mundial e desagradaram a igreja católica.
Enchendo as páginas dos jornais e revistas e sustentando as colunas de fofocas de todo o mundo, Brigitte Bardot, provavelmente, foi uma das mulheres mais faladas, criticadas, polemizadas e desejadas do século.
Provocando furor onde passava, ela marcou presença também no Brasil, onde esteve durante algum tempo na praia de Búzios, acompanhada por um de seus namorados. Foi o que bastou para que a então pacata região do litoral norte do Rio fosse invadida por brasileiros e estrangeiros, mudando radicalmente o perfil do lugar.
Além dos filmes onde foi dirigida por Roger Vadim, a atriz fez A Verdade, em 1960, de Henri-Georges Clouzot, e O Desprezo, de Jean-Luc Godard, entre outros. Entre os longa-metragens de língua inglesa estão Viva Maria!, em 1965, de Jeanne Moreau, e Shalako, em 1968, onde contracenou com Sean Connery.
Seu último filme foi em 1973, Colinot, de Nina Companez. Em 1976, a francesa criou a Fundação Brigitte Bardot para a Proteção dos Animais Ameaçados, o que lhe rendeu o Prêmio da Legião de Honra da França, em 1985.
Hoje, aos 64 anos, Brigitte Bardot é considerada como uma das últimas divas do cinema. Longe do símbolo erótico que foi nos anos 50, a atriz exibe um semblante maduro e experiente, sobre o qual orgulha-se em dizer que nunca sofreu uma cirurgia plástica.
A mulher fatal da metade do século se transformou numa senhora responsável e consciente, notória em todo o mundo pela luta em favor dos direitos dos animais abandonados. Há dez anos, ela leiloou todas as suas jóias em favor da causa.


