É de pequeno que se aprende a sonhar
No Centro Municipal de Educação Infantil Rafaela Kemmer de Moraes, no Parque Universidade (Região Oeste), a Pedagogia Empreendedora começou a ser trabalhada no ano passado com alunos de cinco anos da educação infantil. Com a utilização dos "caderninhos dos sonhos", os alunos registravam com recortes de revistas, desenhos e transcrições feitas pelas professoras seus sonhos infantis.
Eles também construíram uma tenda dentro da sala, com fantasias e almofadas coloridas confeccionadas por eles, para criar uma ambiente ainda mais agradável e lúdico para falar de sonhos. "As pessoas podem achar um pouco estranho falar isso com crianças tão pequenas, mas elas têm condições de entender e se expressam muito bem, embora ainda estejam em uma fase de elaborar seus sonhos ainda muito dentro do conceito concreto. Querem bonecas, videogames, brinquedos, mas vamos ampliando aos poucos essa ideia para que também valorizem não só os bens materiais, mas os valores humanos", conta a diretora Silmara Renata Pinheiro Inácio.
E como resultado positivo os alunos acabaram por ficar mais solidários e gentis entre eles e com os educadores. "Vivemos uma correria constante em que o simples, o valor do silêncio, do momento, parece estar perdendo o sentido. Esse trabalho é um resgate tanto para as crianças quanto para suas famílias, que são envolvidas em diversas atividades feitas em casa", comenta Silmara.
A instituição também conseguiu organizar no ano passado a Escola de Pais, que proporcionou aos pais um espaço adequado para falar sobre seus conflitos e paradigmas. "Era um momento precioso de reflexão, bem-estar e convivência em que as mães podiam interromper a rotina para repensar o papel da família, da escola, das relações familiares. Na correria do dia a dia as pessoas não têm tempo ou paciência de ouvir a criança, de reavaliar a forma de tratamento do filho", pontua.
Para este ano, o enfoque será os sonhos coletivos com a turma de seis anos, que agora já está mais habituada a falar de sonhos. Com os de cinco, o trabalho recomeça. (A.P.N.)





