É batata!
É BATATA!
A Emi lança
Diplomacia,
disco que é uma
excelente amostra
da arte do
compositor baiano
Batatinha
Antônio Mariano Júnior
ReproduçãoBatatinha:
talento
resgatado
pela Emi em
doze faixas
do disco
Diplomacia
É preciso estar atento e forte porque senão os tambores desvairados da atual música baiana podem abafar um lançamento no mínimo precioso. Trata-se de Diplomacia (EMI), disco que registra parte do rico cancionceiro de um compositor que, infelizmente, não alcançou a projeção nacional que merecia mesmo pertencendo à linhagem nobre de bambas como Cartola e Nelson Cavaquinho. Seu nome, Oscar da Penha, o baiano Batatinha.
O CD, que apropriadamente traz o subtítulo de Antologia de Um Sambista vem à tona graças à persistência de dois jovens compositores baianos que, pela primeira vez, assumiram função de produtores - J. Velloso e Paquito. Que, por mais esforços dispendidos, não conseguiram que o homenageado ouvisse em vida seu quarto disco - Batatinha morreu no começo do ano passado, de câncer.
Mas o compositor conseguiu colocar voz em doze faixas. As outras cinco que completam o CD acabaram caindo na voz de gente do naipe de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, um quarteto de compositores baianos (Nelson Rufino, Valmir Lima, Edil Pacheco e Riachão), a novata Jussara Silveira e, claro, Maria Bethânia.
Claro porque foi graças à Bethânia que Batatinha passou a ser um pouco mais conhecido em nível nacional - dele a diva gravou pérolas como Diplomacia (logo no seu disco de estréia, em 65), O Circo, Toalha da Saudade, Hora da Razão, Imitação (que aliás deu nome ao seu mais recente disco ao vivo, Imitação da Vida).
E foi graças a Bethânia, que serviu como uma espécie de ponte entre produtores e a gravadora que a mantém sob contrato, que o disco sai com o aval de uma grande máquina fonográfica. Porém, para que chegasse a ser um produto de abrangência nacional, Diplomacia percorreu um longo caminho. Quase três anos entre a semeadura e a colheita.
A idéia de se gravar um disco com Batatinha surgiu com um intuito muito singular: mostrar que a música da Bahia não se restringia só à axé-music. Nesse sentido, J. Velloso, Paquito e o também compositor Jorge Portugal escreveram artigos questionando a cegueira de alguns midas fonográficos em não querer ver o lado B da atual geração de músicos, cantores e compositores da Bahia.
Os textos não falavam mal da axé-music, mas dizia que os produtores da Bahia tinham que ver que havia outra música que também poderia ser vista comercialmente- conta J.Velloso. A repercussão, segundo ele, foi das melhores. Paralelo a isso, Paquito havia inscrito o projeto de um disco seu para possível patrocínio pela Empresa Copene, de produtos petroquímicos, a criadora do extinto Troféu Caymmi (que premiava melhor banda, disco, cantores, entre outras categorias. Ivete Sangalo e Daniela Mercury foram duas das agraciadas, só para citar exemplos). Não foi aprovado.
Daí, Velloso propôs que, juntos, inscrevessem o projeto do CD de Batatinha. Conversamos com Batatinha e ele ficou louco de alegria- lembra o produtor. Pois bem, inscreveram. Não foi aprovado. No meio disso tudo, Batatinha adoeceu, foi internado, recebia alta. Todavia, o câncer começava a ganhar a batalha.
Numa noite, Velloso foi assistir a um show de Margareth Menezes e lá encontrou o então Secretário Estadual da Fazenda da Bahia, Rodolfo Tourinho. Falou sobre o estado de Batatinha e do projeto de um CD. Conversa vai, conversa vem ficou resolvido que o disco sairia pela Fundação Cultural da Bahia.
E com uma tiragem de mil exemplares. Que poderiam ficar restritas apenas à Bahia. Por sorte a Emi entrou em campo, encampou o projeto e agora o Brasil todo pode apreciar uma pequena, mas consistente, parte do trabalho de Batatinha. Um senhor de nome engraçado e no diminutivo que agora (aquela velha história, antes tarde do que nunca...) está, finalmente, bem reposicionado na galerias dos grandes compositores brasileiros.





