E aí, vai encarar?
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Rafael Ceribelli<br>Reportagem Local 
Após uma espera de 12 anos, um dos games mais vendidos de todos os tempos tenta explodir o seu caminho de volta para as prateleiras das lojas: considerado um clássico dos jogos de tiro, na semana passada a franquia 'Duke Nukem' provou que ainda é capaz de causar alvoroço em pleno século XXI quando, depois de anunciada a data do lançamento de sua nova versão, figurou no primeiro lugar dos 'Trending Topics' do Twitter, alcançando momentaneamente o cobiçado posto de assunto mais comentado do microblog.
Toda essa expectativa tem motivo. Em janeiro de 1996, o lançamento de 'Duke Nukem 3D' alcançava um recorde inesperado de vendas, transformando o seu personagem principal em um ícone legendário no mundo dos games: carregado de armas, charutos e ironia, o caráter egomaníaco de Duke encara uma batalha contra inimigos esquisitos - javalis vestidos com uniforme da Polícia de Nova York e strippers que se transformam em monstros.
Ambientado em um 'futuro' 2008, ano em que o mundo inteiro está dominado por aliens, para a humanidade resta apenas uma única esperança: a porradaria de Duke Nukem. ''O gráfico era o mais legal da época, e a parte da comédia no jogo era muito engraçada'', comenta o estudante de engenharia Luiz Carlos Jr, que se divertia atirando em alienígenas. ''Eu acho que, até hoje, o jogo tem muito potencial. Não existe nada parecido com o humor de Duke Nukem, e a tendência é só de jogos mais parecidos com a realidade. Ninguém mais explode a cabeça de um ET e faz piada sobre isso'', relembra.
Com uma história bizarra, o jogo praticamente fundou o estilo de 'tiro em primeira pessoa', apostando nos detalhes e na interatividade do personagem com o cenário; entre um tiro e outro, Duke pode relaxar jogando bilhar, explodindo latas de lixo ou pagando para uma dançarina ficar seminua. Essa irreverência se tornou um dos pontos fortes da aventura que, diferentemente dos seus concorrentes imediatos - o jogo espacial 'Quake' e a viagem ao inferno de 'Doom' - se destacava pelo sarcasmo, com 'Duke Nukem' sempre explodindo a cabeça de seus inimigos com irreverência e frases de efeito. O criador do game, George Broussard, afirmou em entrevista para a revista Wired que a ideia da personalidade do loiro fortão foi baseada em uma mistura de ''John Wayne, Clint Eastwood e Arnold Schwazenegger.''
Ironicamente, o sucesso da franquia também foi uma das causas de seu fracasso. Sem precisar se preocupar com dinheiro, o projeto 'Duke Nukem Forever' custou uma fortuna para ser construído, e o perfeccionismo de seus programadores fez com que o jogo entrasse em um processo de desenvolvimento interminável.
Anunciado para ser lançado em 1997 com a promessa de ultrapassar o original, a constante mudança de cenários e uma forte concorrência no estilo de 'tiro em primeira pessoa' forçou o novo jogo de 'Duke Nukem', por diversas vezes, a ter o lançamento adiado e recomeçado do zero. O dinheiro acumulado pela produtora '3D Realms' chegou ao fim em 2009, e o projeto foi abandonado oficialmente.
Logo quando tudo indicava que 'Duke Nukem' havia alcançado, enfim, o seu game over, os direitos do jogo foram adquiridos pela empresa TK2 Games, e o retorno do herói foi finalmente anunciado na última sexta-feira, com o lançamento da sua nova versão previsto para maio deste ano.
Para os gamers fanáticos, resta esperar que o veterano Duke ainda tenha munição suficiente para metralhar o mercado, hoje dominado pelos títulos das versões de 'Counter-Strike' e 'Battlefield'. Em um mundo tecnológico onde chegar em primeiro é a chave do sucesso, essa batalha é mais difícil do que qualquer alienígena mutante.
Serviço
Confira o trailer de 'Duke Nukem Forever' em http://tinyurl.com/48x76my


