E AGORA, VIVACQUA?
Zécarlos Machado, do grupo Tapa, leva ‘‘Corpo a Corpo’’ ao palco do Ouro Verde
Jackeline Seglin
Josoé de CarvalhoZécarlos Machado: ‘‘Corpo a Corpo é uma espécie de Fausto tropical’’Ele é um publicitário bem-sucedido, ex-militante, que agora vive um conflito: ser fiel a seus ideais ou render-se ao sucesso fácil. Para viver esse dilema, o ator Zécarlos Machado, do grupo Tapa, incorpora o personagem Vivacqua num monólogo escrito por Oduvaldo Vianna Filho. O espetáculo ‘‘Corpo a Corpo’’ será apresentado no Festival Internacional de Londrina (Filo), hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde.
Em 80 minutos de encenação, Zécarlos vive um ser totalmente dividido. Ele não sabe se mata ou retoma os ideais engajados de maio de 1968, se vira Deus ou cineasta. ‘‘Ele é um publicitário dos anos 70, que numa noite de muito álcool e pó, faz um balanço da sua vida’’, adianta o diretor Eduardo Tolentino de Araújo.
Nesta noite, Vivacqua briga com a noiva e passa sua vida a limpo: seu emprego, seus sonhos e os projetos políticos esquecidos. Mas os conflitos e as boas intenções desaparecem quando ele recebe uma ligação de Nova York, tratando de uma possível promoção. ‘‘Corpo a Corpo é uma espécie de Fausto tropical. Trata da venda da alma, neste caso, pelo sucesso’’, diz Tolentino.
Este espetáculo do Tapa é calcado na força da interpretação de Zécarlos Machado. A intenção do grupo foi usar inteligência e bom humor na discussão política de um dos mais importantes dramaturgos do teatro brasileiro moderno.
‘‘Corpo a Corpo’’ estreou há três anos, em março de 1995. Com esta montagem, Zécarlos Machado - ator profissional há 25 anos - ganhou o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). ‘‘Esses três anos em cartaz têm dois aspectos. Por um lado, é uma pena, porque questões como as que são tratadas na peça adquirem urgência de serem levadas ao palco. Cada vez elas ficam mais acirradas. Por outro lado, é um prazer imenso fazê-la. A gente vai se conhecendo melhor e isso ajuda a dar pequenos passos na vida, além de ser um grande exercício teatral. É muito bom expressar essas questões de maneira artística’’, defende Zécarlos. Neste período, o ator garante que o personagem amadureceu mais. ‘‘São pequenas nuances das quais nos aproximamos e que nos colocam frente a outras dimensões e percepções.’’
O Tapa foi criado há 19 anos, no Rio de Janeiro (há 12 anos transferiu-se para São Paulo) e já montou 36 espetáculos. Atualmente, além de ‘‘Corpo a Corpo’’, o grupo mantém um repertório com mais três espetáculos: ‘‘Vestido de Noiva’’, ‘‘Ivanov’’ e ‘‘Moço em Estado de Sítio’’. Tolentino ganhou o prêmio MoliSre de melhor direção em 1995, pela montagem ‘‘Vestido de Noiva’’.
Sobre a apresentação no Filo, Tolentino diz que há muito tempo queria trazer um espetáculo para Londrina. ‘‘Espero que seja a primeira de muitas vezes.’’ O diretor conta que o grupo queria trazer também outro espetáculo (Vestido de Noiva) para o festival, mas a cidade não tem um teatro com características técnicas adequadas. ‘‘O governo do Estado está devendo um teatro municipal para Londrina, com todas as condições. A cidade merece’’, observa.
• Corpo a Corpo - monólogo com Zécarlos Machado, do grupo Tapa. Hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Direção: Eduardo Tolentino de Araújo. Participação especial: Einat Falbel/Rosa Grobman (voz de Suely) e Lino Rojas (voz gravada do boliviano). Ingressos a R$ 10,00 (estudantes, idosos e funcionários da Universidade Estadual de Londrina pagam meia). O espetáculo não é aconselhável para menores de 14 anos.

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