Poucos dias depois de ter sido liberado da prisão, Robert Downey Jr. passa a ser o maior alvo de especulação de Hollywood. A indústria começa as apostas sobre o futuro da carreira do ator, que passou quase um ano na penitenciária de Corcoran, na Califórnia, por violação de liberdade condicional relacionada ao uso de drogas. Enquanto diretores que já ajudaram o ator em outras épocas vêm mostrando interesse em voltar a trabalhar com ele, muita gente acha que os grandes estúdios olham para o bad boy com cautela.
Downey, condenado a três anos de detenção, foi liberado depois que seu advogado alegou que ele já tinha cumprido quase um ano em uma clínica de reabilitação para viciados. Garantindo estar sóbrio desde junho de 1999, o ator que concorreu ao Oscar por ‘‘Chaplin’’ e trabalhou em filmes como ‘‘Abaixo de Zero’’ e ‘‘The Gingerbread Man’’, tem pelo menos uma coisa a seu favor: de acordo com Robert Altman, ele nunca esteve tão bem fisicamente, por conta de toda a malhação que fez na cadeia.
‘‘Encontrei com ele em um restaurante e tive de apertar todos os músculos do corpo dele!’’, disse o diretor de ‘‘M.A.S.H.’’ à revista ‘‘Entertainment Weekly’’. ‘‘Ele vai ser o próximo Mr. Atlas.’’ O agente de Downey garante que ele vai voltar com tudo. Ele diz que, no dia da liberação do ator, cerca de 35 interessados ligaram para saber sobre os planos de trabalho do ator. De acordo com o agente, ele ainda não se comprometeu com ninguém e não decidiu que tipo de filme gostaria de fazer primeiro.
Altman quer incluir Downey em seu próximo filme, uma história de época ambientada em Londres, que ainda não tem nome. Michael Mailer, que dirigiu o ator em ‘‘Black and White’’, também já expressou interesse em uma nova colaboração, assim como Curtis Hanson, de ‘‘Wonder Boys’’. ‘‘Qualquer um com um pouco de cérebro contrataria ele’’, garante um produtor de Hollywood.
O maior empecilho para quem quiser contratar Downey é a despesa com seguros: um ator com o passado dele demandaria o dobro de uma pessoa com ficha limpa. A seu favor, ele tem o fato de que, mesmo em períodos em que estava abusando do uso da cocaína e da heroína, sempre conseguiu trabalhar de maneira aceitável. ‘‘Ele sempre foi um drogado profissional’’, diz um produtor.
Polêmicas à parte, Hanson acha que o ano que Downey passou na cadeia também deve servir como uma ótima fonte de inspiração para papéis dramáticos. ‘‘Qualquer ator de talento consegue transformar experiências marcantes em matéria-prima para o trabalho’’, diz o diretor de ‘‘Los Angeles, Cidade Proibida’’. Resta saber se ele vai escolher os papéis certos para a nova fase.

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