E agora?
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Nelson Sato <br> <br> Reportagem Local 
O incêndio que consumiu o Cine Teatro Universitário Ouro Verde na tarde do último domingo provocou perplexidade, tristeza e muita incerteza sobre a agenda cultural prevista para esta temporada em Londrina.
Palco mais tradicional da cidade, que completaria 60 anos em dezembro, o espaço abriga os principais festivais do calendário, além de concertos da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel) e eventos diversos ao longo do ano.
Passado o momento de comoção, o que todos perguntam é: e agora, a programação será mantida com a perda de seu nobre teatro? ''A programação será preservada. Não vamos cancelar nada. Pelo contrário, vamos incrementá-la. A agenda do Teatro Ouro Verde constitui a artéria cultural da cidade. É como um fluxo sanguíneo. Sua interrupção significaria a morte'', afirma Cícero Cordão, coordenador da Osuel e Chefe da Divisão de Música da Casa de Cultura da UEL.
O primeiro concerto de 2012 estava previsto para o dia 22 de março, marcando a reabertura do teatro após a reforma do assoalho do palco, iniciada em dezembro. De acordo com Cordão, o evento está confirmado. Segundo ele, o novo maestro titular e diretor artístico da orquestra - o italiano Maurizio Colasanti - já teria comprado a passagem para o Brasil. ''Só estamos pensando numa alternativa de espaço. O Cine Com-Tour, que também é administrado pela UEL, é a primeira opção para viabilizar o concerto'', assinala.
Já o diretor do Filo (Festival Internacional de Londrina), Luiz Bertipaglia, reconhece que algumas atrações cogitadas para a edição deste ano serão inevitavelmente limadas da programação idealizada pela curadoria.
''Estávamos em fase de negociação com algumas companhias. Nada estava fechado, nenhum contrato foi assinado, mas teremos que fazer alterações porque alguns espetáculos só poderiam ser apresentados naquele espaço. Vamos avaliar a possibilidade de apresentá-los em outro teatro ou transferi-los para 2013'', diz.
A perda do Teatro Ouro Verde, segundo ele, leva à busca de espaços alternativos. ''Talvez coloquemos mais espetáculos na rua, não sei, vamos pensar nas opções. Há também o Teatro Marista, o Teatro Padre José Zanelli de Ibiporã e ainda o projeto do Cine Augustus, o qual foi cogitado para ser um teatro. Enfim, temos que usar a criatividade para criar novos espaços'', assinala.
Augustus
O projeto do Cine Augustus está tramitando nas comissões do Legislativo municipal. Ele previa a troca de três terrenos na Gleba Palhano, Jardim Vale do Reno e Parque Residencial Alcântara - avaliados em R$ 2,6 milhões - pelas salas do antigo Cine Augustus, no Edifício Caminhoto (centro do Calçadão), estimadas em R$ 3,7 milhões.
Rejeitado pelos vereadores no final do ano passado, o projeto garante a transformação do extinto Cine Augustus em teatro municipal. O Cine Augustus foi desativado no início da década de 80 e possui capacidade para 1,6 mil espectadores. ''É a melhor opção nesse momento de caos'', sublinha o secretário municipal de Cultura Leonardo Ramos.
''O Teatro Ouro Verde era o único espaço público da cidade em condições de receber grandes espetáculos. O Zaqueu de Melo é quase um teatro de bolso e a construção do Teatro Municipal envolve um processo mais demorado. O Filo já montou espaços em barracões com alguma rapidez. Acredito que seja possível fazer uma reforma no Cine Augustus para construção de arquibancada, palco e grid para iluminação e som. A estrutura do cinema está lá. Só precisamos avaliar as condições em que se encontra'', diz.
Ainda segundo ele, a construção do Teatro Municipal poderá ter um capítulo novo esta semana com a abertura de licitação para a primeira etapa das obras no Marco Zero (Região Leste): ''Só estamos aguardando a publicação em edital do Ministério da Cultura (Minc). E isso pode sair a qualquer momento no Diário Oficial da União'', diz. A primeira etapa, orçada em cerca de R$ 7,5 milhões, corresponde a terraplenagem, fundações e alvenaria da Sala Maior de apresentações.


