E abrem-se as cortinas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Tão complexo, quanto genial: o brasileiro que ensinou o homem voar. Santos Dumont em seu ''Hangar 14'', monólogo com o ator londrinense Paulo Braz, abre hoje, às 20h, no Teatro Neiva Pavan Machado Garcia, a quinta edição do Festival Unipar de Teatro, em Umuarama - o primeiro vôo de uma programação, que vai até 31 de agosto.
Nove espetáculos de seis cidades e cinco estados num total de quatorze apresentações tomam conta dos palcos, das ruas, praças e feiras. Participam grupos importantes no cenário nacional, como o Lume, de Campinas, em única apresentação, dia 30, da peça ''Café com Queijo'', e da paranaense Denise Stoklos, com ''Vozes Dissonantes'', no dia 31.
Três peças londrinenses estão na programação. Além de ''Hangar 14'', que será reapresentada amanhã, a Troupe Tangará é destaque dias 26 e 27, com a montagem ''Tumba e Para''. No dia 27, o Teatro Garagem, um dos vencedores da primeira edição do Prêmio José Antônio Teodoro, apresentará o espetáculo de rua ''Bendita Geni'', inspirado no personagem da ''Ópera do Malandro'', de Chico Buarque.
''Hangar 14'' ultrapassa as proezas de Dumont atingindo as alturas da poesia de Paulo Briguet, autor do texto, em que o vento sopra um personagem solitário e tímido, que sonhava voar mais longe. Inspirado na obra ''Asas da Loucura'', do escritor norte-americano Paul Hoffman, com direção de Luiz Bertipaglia e supervisão geral de Nitis Jacon, a peça encontra o personagem no hangar dele, onde mais do que as máquinas e hélices com que realizava as suas criações, guardava as emoções de um homem complexo e genial - como são todos os Ícaros.
Para tirar do chão uma programação que inclui, dia 26, ''Um Dia Anita'', da Cia. de Teatro de Nós; dia 28 duas apresentações, ''Tomara Que Não Chova'', do Teatro Anônimo, ambos do Rio de Janeiro; e ''Das Saborosas Aventuras de Dom Quixote de La Mancha e seu Escudeiro Sancho Pança'', do Grupo Teatro que Roda, de Goiás, os realizadores, a Universidade Paranaense (Unipar) e a Fundação Cândido Garcia, além do patrocínio da Lei Rouanet e Banco Itaú, contam com o trabalho de uma equipe que acredita no pioneirismo de abrir novos caminhos para a cultura no Noroeste do Estado.
O orçamento é mínimo em comparação a outros festivais de teatro, R$ 140 mil, mas, a programação, que tem ainda três oficinas para atores, é voltada para a formação de público. Com ingressos gratuitos, o festival espera receber nas salas de apresentações e em locais alternativos, como o Terminal Rodoviário e a Feira do Produtor, cerca de 8 mil pessoas, número superior ao do ano passado, que atingiu 5 mil pessoas.
''Neste momento precisa ser assim, gratuitamente. As pessoas não têm hábito de assistir grupos, como os que trazemos, estando acostumadas às programações mais comerciais. Quando a atração traz no elenco um ator global é mais fácil atrair platéia. No ano passado, começamos a levar espetáculos para as ruas para que mais pessoas tenham acesso à arte teatral'', comenta o coordenador do festival, Alessandro Antonio.
Ele próprio teve formação em Londrina, mas decidiu voltar a Umuarama para ajudar a abrir um novo caminho da cultura em direção ao Noroeste do Paraná. ''Ao morar fora tive a oportunidade de entender melhor as políticas públicas e os caminhos para a aprovação de projetos culturais no Ministério da Cultura. Aqui, em Umuarama, estou vendo na prática e acho muito legal. Existe muita oportunidade. Trabalhar no interior também é importante'', afirma Alessandro Antonio.


