Já não é de agora que Regina Casé sente falta de estar na telinha. Desde a parada de ‘‘Brasil Legal’’ em dezembro de 97, ela tinha recebido da Globo a encomenda de um talk show, a princípio para domingo à noite, logo depois do ‘‘Sai de Baixo’’. Depois de burilar bastante a idéia juntamente com sua equipe Regina estreou o seu ‘‘Muvuca’’ e, no primeiro programa, de cara conquistou 32 pontos, com picos de 44 de audiência.
Eufórica com a conquista de tanta audiência, Regina desvia das críticas, nem todas positivas, lembrando que a proposta é fazer um programa sem formato fixo. ‘‘Escolhemos a casa - um sobrado antigo com seis quartos, três salas, banheiros, jardim e piscina - justamente para se ter opções de cenário. Mas isso não impede que o entrevistado saia pelas ruas do bairro de Humaitá, por exemplo. Tudo é relativo’’, confirma.
Disposta a renovar a sua imagem como apresentadora do ‘‘Brasil Legal’’ - que permaneceu dois anos e meio no ar entre 95 e 97 - Regina festeja o tom de improvisação de Muvuca. ‘‘O grande mérito é que dá a impressão de que nada é roteirizado.’’
Aliás, foi igualmente na base do improviso que optaram pelo nome Muvuca. Em um ‘‘Programa Legal’’, quando ensinava português a um grupo de estrangeiros, Regina usou como ilustração a música de Bezerra da Silva, ‘‘Se Segura Malandro’’, em que aparecia o vocábulo muvuca.
Com a gíria assimilada, Regina zarpou para a Academia Brasileira de Letras e lá, o filólogo Antonio Houaiss, esclareceu que muvuca é ‘‘uma grande concentração de gente alegre’’. Pronto, não precisou mais nada para que o novo talk show já estreasse batizado.
A direção fica a cargo de Estevão Pantoja e Mauro Mendonça Filho. A redação fica por conta de Alberto Renault e Rafael Draugad. E é esse pessoal todo reunido que decide tudo o que vai ao ar, inclusive a lista dos entrevistados. ‘‘Aviso geral: não teremos só nomes globais, não’’, defende-se novamente do alvo de críticas. ‘‘Já gravamos dez programas e tem muita gente interessante e anônima’’, avisa. Mais uma boa razão para conferir.Arquivo FolhaRegina Casé: ‘‘O grande mérito do programa é a impressão de que nada é roteirizado’’Joana Rodrigues
Agência Estado

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