É a Festa do Boi em Parintins
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de junho de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Os amazonenses não gostam da comparação, mas não há como evitar: a Festa do Boi-Bumbá leva o clima do carnaval para a selva, em pleno mês de junho, e atrai turistas até do exterior - caso do coreógrafo americano David Parsons, que esteve em Parintins (a 18 horas de barco de Manaus, ou 1h15 de avião) e ficou fascinado. É um dos espetáculos mais belos do mundo, comenta, por sua vez, o carnavalesco Joãosinho Trinta, um dos que já viram de perto o luxo dos carros alegóricos e das fantasias, aliados ao espetáculo dos fogos de artifício, aos jogos de luzes e à contagiante alegria dos amazonenses, que atraem milhares de turistas todos os anos, nos dias 28, 29 e 30 de junho.
Se no Rio os carnavalescos reinam soberanos no sambódromo, os moradores de Parintins reinam no bumbódromo, por conta dessa tradição iniciada há 82 anos, trazida do Maranhão pelos nordestinos que foram tentar melhor sorte na Amazônia durante o ciclo da borracha.
História original O Bumba-meu-boi de São Luiz - é a da saga do peão Pai Francisco, que mata o boi do patrão para satisfazer o desejo da mulher grávida, a Mãe Catirina. Na versão amazonense, um pajé ressuscita o boi num ritual mágico. A cada ano, a história ganha novos personagens, de acordo com os enredos dos grupos Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho), que se apresentam no bumbódromo durante os três dias de festa. No primeiro dia, cada grupo terá duas horas para apresentar-se. No segundo, duas horas e meia e no terceiro três horas.
Os grupos também têm currais (barracões de ensaios) em Manaus, de onde, na véspera da festa, centenas de pessoas saem em vários barcos rumo a Parintins. No bumbódromo acontece a apoteose, porque a festa já está nas ruas bem antes, diz o diretor de artes do Caprichoso, Simão Assayag. Desde abril, nos finais de semana, os grupos estão se apresentando em Manaus. No Clube Olímpico comparecem os admiradores do Garantido e na TVlândia os do Caprichoso. Nestes dias, cerca de 10 mil pessoas, em cada curral, brincam até altas horas da noite ao som das toadas.
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