Dylan aos 60
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Lawrence Kootnikoff France Presse 
O cantor Bob Dylan festeja hoje seus 60 anos, dia em que os Estados Unidos renderão homenagens ao artista rebelde, símbolo de toda uma geração, cuja influência foi decisiva para a evolução da música popular.
Todos devem algo a Bob Dylan, afirmou recentemente o cantor Bruce Springsteen. Ele realmente mudou a música pop, em especial pelos temas que se arriscou a abordar e pela maneira de cantá-los.
Todos, desde cantores de hip-hop, passando por Marvin Gaye até Anarchy in the UK têm algo de suas raízes em Dylan, acrescentou Springsteen ao jornal USA Today.
Dylan e sua voz nasalada, sua gaita e sua guitarra são inevitavelmente associados aos anos 60. Para Lou Reed, Dylan é o primeiro punk, e para o compositor Willie Nelson, é uma espécie de cowboy poeta.
Bob Feldman, fundador da gravadora Red House Records, lembra de ter ficado fascinado aos 15 anos, como milhões de outras pessoas, com este novo cantor iconoclasta, poeta não convencional, que fez sua estréia no cenário musical com The FreewheelinBob Dylan (1963).
Com o passar dos anos, Dylan compôs 453 canções. Algumas delas ficaram marcadas na memória popular como Blowinin the Wind, The Times they Are A-changin e Like A Rolling Stone.
Em março, Bob Dylan - que quando nasceu foi batizado como Robert Allen Zimmerman, em Duluth, Minnesota - voltou a aparecer nas primeiras páginas dos jornais, quando recebeu seu primeiro Oscar de Melhor Canção Original, por Things Have Changed, composta para o filme Wonder Boys de Curtis Hanson.
No início dos anos 60, ele deu seus primeiros passos no folk, no blues, no rock e na música country. Enlouqueceu os ortodoxos do folk ao optar por uma guitarra elétrica durante um mítico show em 1965.
Mas, Dylan também decepcionou seus seguidores durante alguns anos, antes do lançamento de Blood on the tracks (1975), um álbum produzido depois de sua separação de Sara Lownders, com quem teve quatro filhos (além da primeira filha de Sara, a quem adotou).
Nos anos 80, as vendas de seus álbuns caíram, mas ele acabou se recuperando com Time out of mind (1997), que lhe valeu três prêmios Grammy. Agora, ele é tema de estudo em cursos de literatura nas universidades norte-americanas.
Bob continuará trabalhando nos Estados Unidos e iniciará uma turnê européia em junho.


