Durão, pero no mucho
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quinta-feira, 07 de maio de 2009
Bruna Haddad<br> Especial para Folha2 
Hugh Jackman apareceu de cabelos curtos e sem a barba característica de seu personagem para a entrevista coletiva realizada em sua passagem relâmpago pelo Brasil, nesta semana. Assim que acabou o filme, minha mulher ordenou que eu a tirasse, disse. Apresentador do Oscar deste ano e figurinha fácil nas listas de homens mais sexy do mundo, o ator australiano comemora o sucesso de bilheteria com X-Men Origins: Wolverine. Só no Brasil, foram 1 milhão de espectadores em quatro dias. Número que levou a distribuidora do longa no País a correr para trazer o ator ao Rio de Janeiro e, assim, continuar engordando o rendimento da produção, que só no fim de semana de estreia faturou 87 milhões de dólares nos EUA.
Não é a toa que o sucesso de X-Men Origins é um alívio para Jackman. Depois de nove anos no papel de Wolverine, o ator assume a produção do quarto longa inspirado nos quadrinhos da Marvel - justamente aquele que foca na história de seu personagem. Eu senti que já conhecia o personagem tão bem que quis participar da história, poder escolher o diretor, escolher os outros atores, explica.
Filmado na Austrália e na Nova Zelândia e dirigido pelo sul-africano Gavin Hood, X-Men Origins discorre sobre o passado cheio de traumas de Wolverine e explora a relação conflituosa do personagem com seu irmão, Dente-de-Sabre, encarnado pelo ator Liev Schreiber. Eu acho que uma coisa interessante do Wolverine - e dos outros X-Men - é que todos seus poderes vêm de um trauma emocional. Wolverine tem que lidar com a questão do ódio, da raiva, com seu próprio poder. Eu acho que a questão do filme são os personagens lidando com seus próprios problemas, comenta Jackman.
O ator demonstra intimidade com o personagem que lhe abriu as portas para Hollywood e afirma não temer ficar marcado pelo mutante sexy e mau-humorado das garras de adamantino: Eu sou uma pessoa que odeia ter medo. Quando eu era criança, eu tinha muito medo de altura. Então me forçava para pular de escadas, para vencer o medo. Se eu tivesse medo de ficar refém, eu teria abandonado o personagem.
Formado em jornalismo e dramaturgia, Hugh Jackman iniciou sua carreira em séries da televisão australiana, mas ficou famoso mesmo por sua atuação em musicais. Ainda na Austrália, estrelou versões de A Bela e a Fera e Sunset Boullevard. Nos palcos americanos, viveu, dançou e cantou o músico australiano Petter Allen, em The Boy From Oz.
Não espanta, portanto, que a próxima produção encabeçada pelo ator seja um musical. Já venho trabalhando em Carrosel há 2 ou 3 anos. Eu acho que esse é um musical mais denso, vamos fazer uma versão mais sombria. Só não escolhemos o diretor ainda, explica Jackman, que anunciou publicamente o interesse de trazer para o projeto a atriz Anne Hatthaway, com quem dividiu o palco na apresentação do Oscar deste ano.
Hugh Jackman, 41 anos, não sentiu a crise da meia idade chegar. Eu não acho que tive uma crise da meia idade. A minha mulher (a atriz australiana Deborah-Lee Furness) é um pouco mais velha que eu, e já vem falando disso há uns 7 anos. Então eu já estou acostumado. Ao invés de pensar nos anos passados, o ator prefere focar em seus próximos projetos - entre eles mais um filme da série X-Men - e aproveitar a boa fase.
X-Men origins: Wolverine tem orçamento estimado em 140 milhões de dólares e está em cartaz em aproximadamente 500 cinemas brasileiros, com cerca de 200 cópias legendadas em português.


