Dupla pedala 600 km no Carnaval
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Imagine pedalar mais de 600 quilômetros em quatro dias, comendo barra de cereais e biscoito integral durante o dia. A façanha não foi obra de nenhum atleta profissional, mas de dois amigos que trabalham em uma indústria de café solúvel em Londrina e resolveram aproveitar o feriado de Carnaval numa aventura pela BR-376. Fabrício Aguiar, 26 anos, e Silvano Corassari, 20, nunca tinham viajado de bicicleta, muito menos pedalado juntos. Entretanto, Fabrício garantiu que o passeio até Balneário Camboriú foi um sucesso. A animação é tanta que os dois pretendem tirar férias juntos para poder alcançar destinos mais distantes. ''Essa viagem foi boa pra caramba, mas foi um pouco corrido'', observou Fabrício.
A idéia inicial da aventura partiu de Fabrício. Ele contou que desde novembro do ano passado começou a ler na internet histórias de pessoas que tinham viajado de bicicleta pelo Brasil e se entusiasmou com a possibilidade. Em princípio ele iria sozinho, mas Silvano topou encarar empreitada faltando duas semanas para a viagem. ''Ele ia de excursão mas resolveu ir comigo de última hora'', apontou.
Os amigos traçaram uma planilha para saber como percorreriam o trajeto até Santa Catarina. A largada foi dada às 7 horas do sábado de Carnaval. A intenção era chegar a Balneário Camboriú na segunda-feira, o que só aconteceu no fim da tarde de terça. Eles já haviam comprado passagem de ônibus para retornar a Londrina às 22 horas de terça-feira. Por isso, passaram apenas algumas horas na praia catarinense. ''Só deu tempo de ir a casa de um amigo meu e dar uma volta na praia'', contou Fabrício.
Entretanto, outras belas paisagens foram apreciadas pelo caminho. Barra Velha foi a primeira praia avistada. Eles aproveitaram para dormir no lugar e brincar um pouquinho do Carnaval. Joinville e o parque Beto Carreiro World também marcaram o itinerário dos amigos.
A falta de preparo físico não impediu a viagem. Fabrício disse que durante o dia eles comiam apenas barras de cereal e biscoito integral. Só à noite é que jantavam antes de dormir em alguma pousada. ''A noite a gente comia pra caramba, muito arroz e feijão'', salientou. Uma dor no joelho apareceu no terceiro dia de pedaladas. ''Já não conseguíamos mais pedalar em pé mas seguimos um pouco mais para não deixar muitos quilômetros para o último dia'', lembrou.
Antes da viagem, os amigos precisaram equipar as bicicletas. Eles compraram pneus para asfalto, câmaras de ar, luvas, capacetes, roupas especias e outros acessórios. O custo com esses preparativos foi de R$ 600. Na viagem, Fabrício contabilizou que os dois gastaram cerca de R$ 400. ''Daqui para frente as viagens vão ficar baratas porque já temos os equipamentos'', projetou. Ele lembrou que na estrada era preciso tomar cuidados especiais. Os dois viajaram em fila, um atrás do outro, e avisavam quando viam algum caminhão no trajeto. Trechos sem acostamento eram os mais inseguros.
Conforme Fabrício, o trecho até Curitiba foi o mais pesado. Sol e vento forte também exigiam um esforço maior. Já a descida da serra serviu como um bálsamo para as pernas já cansadas. Fabrício contou que perdeu quatro quilos nesses quatro dias de aventura. ''Melhor que qualquer regime'', brincou. Pedalando mais de 10 horas por dia, Fabrício e Silvano venceram a distância e o cansaço numa aventura saudável e inesquecível.


