Duo de violões toca no Terça Brasileira
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Simone Mattos 
O repertório do Duo de Violões, que será apresentado hoje à noite em Curitiba pelos músicos Luciano Lima e Fabiano Zanin, reúne variados estilos. Todos os compositores interpretados, entretanto, têm em comum o dom de saber explorar o caráter popular da música de seu País. O espetáculo faz parte do projeto Terça Brasileira no Paiol.
De Radamés Gnatalli e Villa Lobos a Manuel de Falla, a dupla curitibana prestigia grandes nomes da música brasileira, erudita e espanhola. Nosso repertório reflete a nossa formação, conta Lima. Ele, atualmente, desenvolve um trabalho voltado para o choro, com a flautista Zélia Brandão e o grupo Retratos, no Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba.
Fabiano Zanin é diretor musical da Cia de Ballet Flamenco La Morita y Santa Ana. Ele iniciou sua carreira na arte flamenca com o grande guitarrista cigano Ioska Santa Ana, de Sevilha. Os dois violinistas têm uma sólida formação musical
e atualmente cursam Bacharelado em Violão na Escola de Música e Belas Artes do Paraná.
O trabalho da dupla, que começou há um ano, busca explorar os recursos que a formação de dois violões possibilita: cada instrumento revela-se uma extensão do outro, buscando o equilíbrio numa unidade sonora.
Lima explica que as dificuldades em encontrar no Brasil partituras compatíveis para um duo de violões fez com que eles se tornassem pesquisadores. Adaptamos o que gostamos de tocar para o violão, explica. Como exemplo, ele cita Nesta Rua Tem Um Bosque (Cirandinhas nº 11), de Heitor Villa Lobos, que estará presente no espetáculo de hoje. A peça foi escrita originalmente para o piano, eu fiz o arranjo para violões, explica o músico.
Além da Ciranda, o programa da apresentação inclui peças de Roberto Gnatalli, como a Dança Brasileira, que também recebeu arranjos de Luciano Lima, e a Suíte Retratos, que passa pelo Choro de Pixinguinha, a Valsa de Ernesto Nazareth, a Schottisch, de Anacleto de Medeiros, e a Corta-Jaca, de Chiquinha Gonzaga. Escolhemos interpretar Gnatalli porque ele utiliza muitas influências do Choro em seu trabalho, diz Lima.
A música clássica-espanhola também tem o seu espaço garantido no programa, com a interpretação, por exemplo, de Danza de La Vida Breve, de Manuel de Falla, música típica do folclore andaluz.
Este é o primeiro espetáculo oficial do Duo de Violões, que até hoje só havia tocado em apresentações menores, vinculadas à escola onde estudam. Nossa expectativa em conseguir colocar no palco todas as idéias que tivemos é muito grande, explica Lima. Com ensaios diários de no mínimo três horas e dedicação total ao estudo, pesquisa e treino da música, eles afirmam que esta deve ser apenas a primeira apresentação do duo. A partir de agora, pretendemos mostrar nosso trabalho dentro e fora da cidade, explica.


