'Dungeons & Dragons' comemora 15 anos no Brasil
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sábado, 11 de julho de 2009
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Muito antes da febre sobre vampiros e lobisomens gerada pela série ''Crepúsculo'', de Stephanie Meyer, ou das mágicas aventuras do bruxinho Harry Potter, de J. K. Rowling, jovens de todo o mundo já sonhavam com um universo tão fantástico e ao mesmo tempo real, onde pudessem interagir. Essa ''realidade alternativa'' ainda é o mais popular jogo de interpretação (ou Role Playing Game, RPG) do mundo, ''Dungeons and Dragons'', que comemora 15 anos no Brasil com o lançamento de sua quarta edição.
''Dungeons and Dragons'' (D&D), lançada no Brasil inicialmente como um brinquedo, em 1994, mas já apreciada por aqui há algum tempo pela ''geração xerox'', que usava fotocópias dos livros importados.
''Depois que assisti um filme com um amigo, fiquei pensando como o personagem vivia de forma diferente e ficamos encantados com a possibilidade de viver esse mundo de liberdade que o 'Dungeons and Dragons' oferece. E também porque é um jogo diferente, você não fica estático girando uma pecinha ao redor de um tabuleiro'', conta o biólogo Carlyle Santin Sguassabia, de 36 anos.
É bom lembrar que na época os RPGs ainda não tinham invadido o Brasil, que engatinhava em um setor alimentado por fãs de assuntos interligados. ''Sempre fui fã de ficção científica e um dia li 'O Senhor dos Anéis'. Adorei e fui atrás dos livros portugueses do Tolkien e depois o D&D'', lembra o gerente de marketing Daniel Lira de Oliveira, de 33 anos.
Passada a fase inicial, o D&D - que havia ganho muita popularidade nos anos 80 com a série animada inspirada no jogo, batizada no Brasil de ''Caverna do Dragão'' - começou a sofrer dura concorrência nos anos 90, com o lançamento de ''Vampiro'' e de ''Lobisomem''. A editora White Wolf entrou no mercado propondo uma forma simplificada de atuar, quase sem regras, em cenários góticos baseados na interpretação e narrativa a partir do denso texto de seus livros.
''A proposta na teoria era muito bonita mas na prática, no jogo, não acontecia. Ninguém fica triste ao ganhar poderes para arremessar um carro. Então era difícil se imaginar um vampiro triste e amargurado com tantos poderes'', comenta Carlyle.
Hoje, quinze anos depois do lançamento daquilo que seria um concorrente para o Banco Imobiliário, D&D é considerado um clássico do RPG no Brasil. ''D&D tem uma mitologia própria. Mistura os monstros gregos e hindus com ficção científica; Orcs do 'Senhor dos Anéis' com cavaleiros e monges kung-fu... Você sempre acha alguma coisa que gosta, sempre tem algo com o que se identificar'', elogia Daniel.


