Dois titãs de Hollywood, o atual presidente da Disney e o antigo responsável por esse estúdio, estão travando há uma semana uma batalha legal de vários milhões de dólares, o que traz a público as práticas pouco ortodoxas do setor.
O atual confronto é o segundo episódio da guerra entre Jeffrey Katzenberg, fundador, junto com Steven Spielberg e David Geffen, dos estúdios DreamWorks, contra Michael Eisner e a Disney. Jeffrey Katzenberg, que dirigiu os estúdios Disney durante dez anos, afirma que seu ex-patrão deve a ele pelo menos 250 milhões de dólares.
Em uma primeira fase, a Disney reconheceu, em um acordo amistoso, dever dinheiro a Jeffrey Katzenberg e as duas partes aceitaram que um mediador fixasse a importância. A segunda fase começou em 26 de abril passado, em Los Angeles, ante a justiça.
Como o roteiro de um filme, os dois inimigos de hoje eram quase irmãos ontem. Michael Eisner e Jeffrey Katzenberg trabalharam lado a lado na Paramount, no início dos anos 80, antes de se unirem a Disney, em 1984.
Hoje, o advogado de Jeffrey Katzenberg, Bertram Fields, afirma que esta divergência se deve à ‘‘animosidade pessoal de um homem’’, Michael Eisner. O defensor do presidente da Disney, Lou Meisinger, replicou que Jeffrey Katzenberg acrescentou ‘‘um novo critério de arrogância em uma indústria bem provida neste campo’’.
No centro de conflito está a afirmação de Katzenberg de que, segundo seu contrato, a Disney deve de forma vitalícia 2% dos benefícios gerados pelos quase 700 filmes e produções televisivas que ele ajudou a criar, entre elas os megasucessos ‘‘O Rei Leão’’, ‘‘A Bela e a Fera’’ e ‘‘Bom dia, Vietn㒒.
Bertram Fields chegou a mencionar um plano secreto batizado de ‘‘Projeto Bola de Neve’’, conhecido por Michael Eisner, que pretende evitar que seu cliente possa cobrar o que a empresa lhe deve.
A Disney alega que seu ex-presidente não era tão eficiente quanto pensa. Segundo Lou Meisinger, os filmes patrocinados por Jeffrey Katzenberg atingiram um déficit de 231 milhões de dólares quando este deixou a Disney, em 1994.
A Disney também assegura que Katzenberg perdeu o direito de suas ‘‘cotas extras’’ ao deixar a companhia dois anos antes do término de seu contrato. Segundo Eisner, Katzenberg sabia que ‘‘não obteria todas as guloseimas’’ indo embora prematuramente.
Entre as citadas ‘‘guloseimas’’ contratuais de Jeffrey Katzenberg, figuravam uma casa de cinco milhões de dólares, equipamentos de vídeo avaliados em 100 mil dólares, aviões particulares e os serviços de um mordomo. O próprio reconheceu ter recebido 100 milhões além de seu salário durante esses dez anos na Disney, apesar de acrescentar que, durante o mesmo período, Michael Eisner embolsou cerca de um bilhão de dólares.
Ninguém em Hollywood gosta de ver assuntos desse tipo discutidos em público. Mas a Disney poderá se ver diante de aborrecimentos ainda maiores, já que um memorando apresentado ante o juiz talvez dê motivos para outras reclamações por parte dos atores, diretores e roteiristas, que recebem porcentagens das arrecadações dos filmes.
Esse documento detalha como a Disney minimiza seus lucros e supervaloriza os gastos. Tudo obra de Bill Clark, durante anos responsável pela contabilidade da participação dos lucros da Disney. Ele agora está atrás de um emprego na DreamWorks e já enviou seu informe aos advogados de Jeffrey Katzenberg.

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