São Paulo - Ao lado dos seus mentores Zeca Pagodinho e Martinho da Vila, Dudu Nobre é um dos poucos artistas em atividade que produzem um samba refinado e mantêm o apelo popular. O cantor agora lança ''O Samba Aqui Já Esquentou'', o seu primeiro álbum de inéditas em seis anos. Desde ''Festa em Meu Coração'' (2005), Dudu Nobre havia lançado apenas dois projetos temáticos: ''Os Mais Belos Sambas-Enredo de Todos os Tempos'' (2007) e ''Roda de Samba ao Vivo'' (2008).
São onze faixas, sete delas compostas pelo próprio Dudu Nobre, sozinho ou com parceiros. ''Esse é o meu trabalho mais misto. Pegamos várias vertentes do samba. Tem partido-alto, claro, mas também tem samba romântico, samba de roda...'', define ele. Entre as composições de outros artistas, destacam-se ''É Ela'', parceria de Rildo Hora com Lu Cardoso, e ''Cordas de Aço'', de Cartola. ''Sempre gostei dessa música, é um dos poucos clássicos do Cartola que não foram tão regravados'', avalia. ''Colocamos dois violões para fazer um clima mais intimista, mesmo.''
Pelo oitavo disco em seguida, Nobre recorreu à direção artística de Rildo Hora, notório produtor, gaitista e compositor pernambucano, em atividade desde os anos 1980.
Em meio a arranjos sofisticados e letras interessantes, Nobre desafia a ''patrulha do brega'' ao também explorar temas mais românticos, que poderiam ser facilmente confundidos com pagode. ''A crítica que eu tenho ao pagode é pelas letras sem conteúdo, mas nunca tive receio de ser confundido. Tem pagode que eu abomino, mas gosto de grupos como Sensação e Exaltasamba'', enumera.
Nobre não nega, no entanto, que o samba perdeu bastante espaço no mercado musical. ''Em meus 12 anos de carreira, o único nome que surgiu com força foi Diogo Nogueira. Agora, conta quantos grupos de pagode apareceram'', questiona.
Felizmente, ainda existem sambistas distintos, como Dudu Nobre. Ele não só mantém o bom samba vivo, como ainda honra o próprio sobrenome.

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