Duas vidas e muitas histórias
Mané Garrincha e Elza Soares, um dos casais mais famosos dos anos 60, quem diria, chegam ao cinema em filmes separados. Elza - Cantando para não Enlouquecer, o longa sobre a cantora, será dirigido por Wolney de Oliveira; Garrincha levará a assinatura de Marcos Altberg. Ambos têm roteiro de José Louzeiro e estão sendo produzidos pela paulista Isa Castro.
Dos dois, Elza é o que está mais adiantado. Mesmo porque é baseado na biografia da cantora, escrita por Louzeiro. Quer dizer, o roteiro já parte de um texto pronto, que precisa apenas ser adaptado para a especificidade da linguagem cinematográfica. Além disso, o elenco já está praticamente formado.
Elza, lógico, interpretará a si própria na maturidade. A Elza mocinha, aquela que deixava Mané tonto como um daqueles zagueiros que tinham a infeliz incumbência de marcá-lo, será interpretada pela deusa Taís Araújo. Falta escolher uma atriz para viver Elza quando menina, subindo o morro com a lata dágua equilibrada na cabeça e já entoando aquele samba de sotaque jazzístico que viraria sua marca registrada quando famosa.
O longa-metragem está orçado em R$ 2 milhões, dinheiro que vem sendo captado por meio das leis de incentivo à cultura. Na fase de pré-produção, Louzeiro, Wolney de Oliveira e Isa também estão tomando todas as precauções legais para não terem surpresas quanto a direitos autorais ou de uso de imagem. Afinal, esse tipo de figura jurídica costuma dar muita dor de cabeça no Brasil. Que o diga Ruy Castro, autor da biografia de Garrincha, Estrela Solitária, que ficou durante longo tempo proibida nas livrarias por causa da ação impetrada pelos advogados das filhas do jogador. No caso de Elza e Garrincha, todo o cuidado é pouco. Vai mexer-se com gente ainda viva e, sobretudo, com herdeiros.
Wolney de Oliveira pretende ter todos esses detalhes acertados para começar as filmagens em janeiro. Até lá ele cuida da finalização do seu primeiro longa-metragem, Milagre em Juazeiro, sobre a vida do padre Cícero Romão. Wolney de Oliveira estudou na Escola de Cinema de San Antonio de los Ba¤os, em Cuba, e é diretor de um delicioso documentário sobre a música latino-americana, Sabor a Mi. Para ajudá-lo na formação do resto do elenco, o diretor chamou o ator Antônio Pitanga.
Além de trabalhar no filme, Pitanga vai ajudar-me no casting, pois tem ótima circulação entre os atores, e, principalmente, entre a comunidade negra, diz o cineasta.Arquivo FolhaGarrincha: a vida do craque agora é tema de filmeLuiz Zanin Oricchio
Agência Estado





