O cantor e compositor Itamar Assumpção vai pular da cama para participar de um show da cantora Zélia Duncan na próxima terça-feira, em São Paulo. No dia seguinte, será homenageado em outro show, desta vez com a presença de parceiros de várias épocas como Arrigo Barnabé, Cássia Eller, Chico César, Ná Ozetti, Tetê e Alzira Espíndola, além da própria Zélia.
Há pouco, ele interrompeu as gravações de seu novo disco para se submeter a três cirurgias de retirada de um tumor maligno no intestino. Depois de ficar internado no Hospital das Clínicas da capital paulista, voltou para casa onde encontra-se em fase de recuperação. ‘‘Ele vai fazer alguns exames e iniciar, provavelmente em janeiro, o tratamento de quimioterapia’’ – contou ontem, por telefone, sua filha Anelis.
O show de quarta-feira será realizado no Teatro Sesc-Pompéia. A idéia dos artistas convidados é comemorar os 20 anos de lançamento de ‘‘Beleléu, Leléu, Eu’’, o disco de estréia de Itamar. A Banda Isca de Polícia, montada por ele para a gravação do álbum, estará presente ao tributo acompanhando os intérpretes com sua formação original que inclui Jean e Luiz Chagas (guitarras), Paulo Lepetit (baixo) e Gigante Brasil (bateria).
O repertório do show é a obra do homenageado, cuja importância ainda não foi devidamente avaliada. ‘‘Beleléu’’, o disco, foi um dos responsáveis pela eclosão da chamada vanguarda paulistana no começo da década de 80 combinando levadas de reggae, samba e funk ao rock. Até despontar, Itamar teve uma passagem pelo Norte do Paraná, morou com a família em Arapongas e Paranavaí.
Na época, quase virou jogador de futebol. Um técnico o viu batendo bola e quis levá-lo para a Portuguesa de Desportos. Itamar não foi e acabou fazendo teatro. Pouco depois, comprou um violão e começou a participar de festivais estudantis de música em Londrina. Já em São Paulo, saiu do anonimato ao ganhar o prêmio de melhor arranjo com a música ‘‘Sabor de Veneno’’, composta e interpretada por Arrigo Barnabé no Festival da Tupi, em 1979.
Daí em diante, sua carreira deslanchou, sempre com boa recepção crítica. Seu último disco de canções inéditas é ‘‘Pretobrás – Por Que Que Eu Não Pensei Nisso Antes’’, lançado há dois anos pela Atração Fonográfica como o primeiro volume de uma trilogia. O segundo disco da série já estava a caminho quando Itamar foi surpreendido com a descoberta de que estava com câncer.
Segundo Anelis, o compositor começou a trabalhar algumas faixas, mas foi obrigado a parar tudo por causa da doença. ‘‘Mas o disco já tem uma cara, o repertório está escolhido, falta colocar a instrumentação e gravar’’ – informou ela. Enquanto o artista se recupera da cirurgia, um outro título de sua discografia acaba de retornar às lojas em formato de CD: ‘‘Intercontinental! Quem Diria! Era Só o Que Faltava!!!’’, que ele lançou em 1988 pela Continental.
Foi o primeiro por uma grande gravadora. E um dos melhores de sua carreira. Além dos discos citados, Itamar lançou ‘‘Às próprias Custas S/A’’ (1983), ‘‘Sampa Midnight – Isso Não Vai Ficar Assim’’ (1986), ‘‘Bicho de 7 Cabeças – Itamar Assumpção e as Orquídeas do Brasil’’ (1993), ‘‘Bicho de 7 Cabeças Vol. II – Itamar Assumpção e as Orquídeas do Brasil’’ (1994) e ‘‘Ataulfo Alves por Itamar Assumpção – Pra Sempre Agora’’ (1996).

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