De Curitiba
Os integrantes do Negritude Júnior costumam dizer para a platéia que os prestigia em seus shows que ali está a ‘‘família Negritude Júnior’’. Não importa se em vez de milhares de fãs, tiverem apenas algumas centenas para aplaudí-los. Hoje, às dez da noite, eles se encontrarão com a fatia paranaense do ‘‘Negritude’’ no Largo da Ordem, onde se realiza a 22ª Festa de São Francisco da Ordem.
O espetáculo terá duração de duas horas, com os maiores sucessos do grupo em seus 13 anos de carreira e sete CDs lançados. A produção é caprichada, conforme o negritude Claudinho: luz e som levam a assinatura do grupo, e são responsáveis pela presença de 35 técnicos.
‘‘Nossa carreira sempre foi muito bem’’, diz ele. Agora está tomando um rumo ainda melhor. Houve mudanças nos bastidores do grupo e isso faz com que os planos sejam refeitos, aprimorados. ‘‘Estamos com novo empresário, e isso é muito bom’’, comenta. Pede para divulgar o número do telefone para shows que também mudou: (11) 5561-1902.
Na estrada desde meados dos 80, o ‘‘Negritude Júnior’’ viu pipocar grupos de pagodeiros depois que o ritmo virou moda. Mesmo assim os moços mantém-se tranquilos: ‘‘Quem compra o disco de um, compra de todos’’, afirma Claudinho. Ele calcula até hoje seu conjunto vendeu algo em torno de 4 milhões de cópias.
Há, porém, um diferencial entre eles e o resto dos pagodeiros que atulham a praça – a preocupação com a questão social. Vindos de um conjunto da Cohab, de Carapicuiba, na Grande São Paulo, os artistas criaram em 1994 o Projeto Família Negritude, voltado ao amparo à crianças e adolescentes carentes.
Esse projeto, amplamente divulgado pela imprensa, proporciona à essa clientela aulas de teatro, jazz, balé, violão, cavaquinho, percussão, teclado, computação, inglês e espanhol. Pedagogas, fonoaudiólogoas e psicólogos dão atendimento às 350 crianças assistidas.
Uma das medidas para aumentar a renda da Família Negritude, foi o surgimento da Grife 100% Cohab. Camisetas, moletons e bonés trazem a marca do grupo. É uma iniciativa que acompanha o projeto, mas, naturalmente, não representa parcela significativa de ganhos. ‘‘Tem muita gente ajudando; muitas empresas, muitos artistas. Somos gratos a eles’’, afirma Claudinho.
Fazendo coro aos colegas do conjunto, comenta que as atitudes para o benefício social devem partir de cada um, sem esperar pelo governo. Ou então, ‘‘os de cima’’. ‘‘Não adianta ficar esperando do político; você tem que arregaçar as mangas. Se um ajudar o outro, tudo melhora. Foi isso que discutimos quando resolvemos montar nosso projeto’’.
A Prefeitura de São Paulo acaba de doar um espaço enorme para o Família Negritude e, se vingarem os planos traçados pelos rapazes, o atendimento às crianças vai pular de 350 para 2000 até meados do próximo ano.
Para Claudinho, o Brasil já foi mais feliz e menos temeroso. Quando o Negritude Júnior foi alçado à fama, há pouco mais de uma década, a realidade era outra, apesar de todos os problemas enfrentados pela população. Agora piorou, analisa. ‘‘As pessoas eram mais alegres que hoje. Hoje elas estão inseguras, o mercado de trabalho está difícil, a dúvida é geral. Ninguém se sente seguro no emprego, não dá para fazer planos’’.
O caráter beneficente da 22ª Festa de São Francisco da Ordem torna a vinda do grupo ainda mais prazenteira. ‘‘Num País de sofrimento a gente tem que subir no palco, mostrar alegria e não desistir’’, prossegue o cantor.
Todo trabalho que o Negritude desenvolve pelo lado social, tem um retorno incomparável. ‘‘É gratificante para nós quando estamos na rua e crianças se aproximam, dizendo que querem ajudar as nossas crianças. Comove muito. Mas mexer com criança, é mexer com Deus. Se estendemos a mão para o outro, é para nós mesmos que estendemos. Afinal, Deus é um só, é o Pai de todo mundo’’.
‘‘Negritude Júnior’’ na 22ª Festa de São Francisco da Ordem. Neste sábado, a partir das 22 horas, no Largo da Ordem.

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