Duas décadas de hardcore
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de março de 1999
Ricardo Moreno Especial para a Folha Jovem 
Entre centenas de grupos que surgiram durante os anos 80 nos arredores de Los Angeles e toda a Califórnia, o Bad Religion foi um dos poucos que sobreviveram. E mais, desde o seu nascimento, há quase 20 anos, seu som não teve grandes mudanças, assim como os fiéis fãs que acompanham a banda há tanto tempo.
Na verdade, eles cometeram um deslize logo no início da carreira, mesmo depois de já terem conquistado uma satisfatória legião de seguidores. Em 1983 lançaram Into the Unknown e foram completamente detonados pela crítica e abandonados pelo público quando resolveram colocar introduções de teclados e sintetizadores descaracterizando totalmente a linha adotada em seus dois trabalhos anteriores.
Mas a melhor notícia, entretanto, é a de que o grupo liderado por Greg Graffin sobreviveu, e faz uma única apresentação, hoje à noite, na Forum, em Curitiba.
Tocando pela segunda vez no País (a primeira foi há dois anos e meio no finado Aeroanta), o Bad Religion promete não deixar pedra sobre pedra. Hits consagrados como American Jesus, Punk Rock Song, No Control, Generator e o hino 21st Century Digital Boy não devem ficar de fora da apresentação que ainda vai contar com um set baseado no mais novo disco, No Substance.
Depois de uma infância conturbada em Wisconsin, Gregory Graffin, então com 11 anos, diante da separação dos pais, acabou indo morar em San Fernando Valley, em Los Angeles. De alguma forma ali começava a ser traçada a história de uma das mais respeitadas bandas de hardcore/punk rock do mundo.
Greg não tinha mais do que 15 anos quando juntou três amigos e lançou seu primeiro EP homônimo pelo selo Epitaph - hoje um gigante disputado a tapas por dezenas de banda do gênero em todo o mundo e madrinha de grupos como Rancid e Offspring. Mas, o detalhe maior, é que a Epitaph pertencia a eles mesmos, que a inventaram apenas para lançar o disco.
Hoje em dia, apesar do som dos caras continuar tão possante - senão mais que no início da carreira - os únicos remanescentes originais são o vocalistas Greg Graffin e o baixista Jay Bentley, depois de algumas idas e vindas do guitarrista Brett. Porém, essas mudanças não afetaram o desenvolvimento da banda, apesar da parada de um ano em 1984.
Passado o susto, o Bad Religion não parou de crescer. A cada disco lançado a popularidade da banda crescia ainda mais e o novo guitarrista, Brian Baker, desempenhava muito bem sua função.
Com 15 discos lançados e fãs ilustres como Eddie Vedder, David Bowie e Johnny Lydon, o Bad Religion vai provar, hoje à noite, mais uma vez, porque é considerada uma das mais importantes e influentes bandas do gênero em todo mundo. Isso tudo, para um público que sequer havia nascido quando eles começaram a tocar.


