Drummond por Drummond
Quando nasci, um anjo torto/desses que vivem na sombra/disse: vai, Carlos, ser gauche na vida./Meu pai montava a cavalo, ia para o campo./Minha mãe ficava sentada cosendo./Meu irmão pequeno dormia./Eu sozinho menino entre mangueiras/lia a história de Robinson Crusoé./E eu não sabia que minha história/era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
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Alguns anos vivi em Itabira/Principalmente nasci em Itabira./Por isso, sou triste, orgulhoso: de ferro./Tive ouro, tive gado, tive fazenda./Hoje sou funcionário público./Itabira é apenas uma fotografia na parede./Mas como dói!
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Eu também já fui brasileiro/moreno como vocês./Ponteei viola, guiei forde/e aprendi na mesa dos bares/que o nacionalismo é uma virtude./Mas há uma hora em que os bares se fecham/e todas as virtudes se negam.
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Pouco importa que venha a velhice./Que é a velhice?/Teus ombros suportam o mundo/e ele não pesa mais que a mão de uma criança./Ó, vida futura!/Nós te criaremos.
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E agora, José?/E agora, você?





