Cartas trocadas entre Carlos Drummond de Andrade e Nelson Bravo integram a mostra
Cartas trocadas entre Carlos Drummond de Andrade e Nelson Bravo integram a mostra | Foto: Gustavo Carneiro



Recortes de jornais, revistas, capas de livros, fotos e fragmentos ligados à vida e obra do escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade, estão em exposição até o dia 31 de agosto, na Biblioteca Pública Municipal de Londrina. A mostra intitulada "Drummond Eterno" foi aberta na última terça-feira (1) e conta também com um álbum com cópias de bilhetes e cartas escritas por pelo escritor, falecido em 17 de agosto de 1987. Todo esse pequeno "tesouro" foi organizado e doado pelo pesquisador, jornalista e cartunista Nelson Bravo, de 73 anos, amigo e correspondente do poeta. Além de uma devoção eterna, Nelson tem uma vasta coleção sobre o cronista.

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O primeiro contato com o poeta aconteceu em 1975, quando Bravo atendeu Drummond na agência do Banco do Brasil em Copacabana, onde trabalhava como bancário. "Ele gostava de cinema e achava Chaplin sua maior figura, era buquinador de livros e revistas antigas, nunca teve nem dirigiu automóvel e locomovia-se de ônibus, flertando com a vida vertiginosa da cidade em seus poemas e crônicas", relembra. Era ali que o poeta e escritor recebia o salário do Ministério da Educação. O então bancário viu uma oportunidade de estabelecer com Drummond mais que um relacionamento profissional. "Ele era solidário, amava nossos cartunistas e músicos e, por essa razão, descobri nele uma alma fascinante a ser conquistada, o que parecia, até então, algo além do horizonte provável. Mas com o tempo e meus desenhos, fui me achegando ao coração do poeta."

Foi uma coleção de charges bem humoradas que mostravam o poeta em cenas do cotidiano e que lhe eram enviadas de presente. Em troca, e como sinal de agradecimento e afeto, Drummond mandou dezenas de cartas e bilhetes para Nelson. Em uma das correspondências, ele se se mostra encantado: ‘‘Minha coleção de desenhos está soberba. Comovido, penhorado, vencido, o abraço do Drummond’’. Um acervo de fazer inveja a admiradores do poeta e de sua literatura.

Dentre as coisas que aproximavam Drummond e Bravo, uma era a paixão deste último por Lima Barreto. Diversas das cartas trocadas pelos amigos, vinham acompanhadas de recortes e textos encontrados pelo poeta em suas viagens. "Como esquecer a generosidade dele, em tantos momentos da minha vida, quando me dava dicas , por telefone, a alguma pergunta sobre literatura, livros ou revistas antigas, ou me enviava, pelo correio, matérias publicadas, no Brasil e no exterior, sobre Lima Barreto", relembra Bravo.
Ao exibir recortes da vida e obra de Drummond, a exposição mostra como ele explorava, em seus versos, a afetividade, a simplicidade do cotidiano, além do apego às lembranças e a seu próprio tempo.

Serviço:
Mostra 'Drummond Eterno'
Local: Biblioteca Pública Municipal
Até 31 de agosto, das 7h30 às 19 horas
A visitação é gratuita e aberta ao público.

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