DRUMMOND EM ANÁLISE
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de agosto de 2001
Nelson Sato<BR>De Londrina 
''Cansei de ser eterno, agora quero ser eterno''. A célebre frase de Carlos Drummond de Andrade já alimentou centenas de páginas de seus comentadores, todas impulsionadas pela idéia de que a uma certa altura o poeta teria puxado o freio de seu ímpeto renovador inicial e se orientado para uma lírica conservadora.
A guinada classicizante seria o livro ''Claro Enigma'' (1951), objeto de permanente polarização crítica. O ensaísta Vagner Camilo retoma o estudo em ''Drummond Da Rosa do Povo à Rosa das Trevas'' (Ateliê Editorial), inventariando os acertos e equívocos de leitura ou de recepção que a obra obteve ao longo dos anos.
''Muitas das ressalvas feitas pelos intérpretes'' assinala o autor '' parecem decorrer seja da desconsideração para com as articulações mais íntimas e sempre dialéticas que unem o pessimismo e o formalismo de Claro Enigma a certas especificidades do contexto politico e estético dos anos 40-50; seja da incompreensão frente à reapropriação drummondiana do legado 'clássico', que nada tem de regressiva ou restauradora, como se costuma supor''.
O livro, que traz texto de apresentação do filósofo Bento Prado Jr., é uma versão ligeiramente modificada da tese de doutorado apresentada por Camilo na Unicamp, em 1999. Pula da gráfica em momento oportuno, quando os versos do poeta de Itabira voltam a circular com a reedição de seus títulos pela editora Record já como parte das comemorações de seu centenário, a ser lembrado no próximo ano.
A projeto de relançamento prevê 36 livros embalados em novos projetos gráficos, cronologia, bibliografias atualizadas e prefácio de críticos literários. As livarias já exibem ''A Rosa do Povo'', ''Brejo das Almas'', ''Sentimento do Mundo'' e ''Alguma Poesia''.


