'Drive' surpreende pela construção dos personagens e fotografia impecável
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quinta-feira, 15 de março de 2012
Redação FolhaWeb 
Era uma vez um motorista com uma habilidade fenomenal por detrás do volante. Na luz do dia, ele ganhava sua vida como dublê em cenas de filmes de ação. No cair da noite, ele fazia 'bicos' auxiliando nos planos de fuga de bandidos, deixando sempre as viaturas da polícia comendo poeira. Pensou em algum filme no ritmo de ''Velozes e Furiosos 6'' ou ''Velocidade Máxima 3''? Se enganou completamente. ''Drive'' - estreia desta semana do Cine Com-Tour/UEL - vai na contramão da expectativa criada pela sua sinopse. É uma história de ação em marcha lenta, que abre mão das explosões e da montagem frenética e privilegia a construção de seus personagens e uma fotografia deslumbrante.
Logo na cena inicial, acompanhamos uma das fugas realizadas pelo protagonista sem nome (Ryan Gosling) - um homem silencioso, pragmático e com um passado desconhecido, que sempre usa uma jaqueta jeans com emblema de escorpião. O trato de todo assalto é sempre o mesmo: o Motorista é contratado, dirige até o local do crime, espera exatos cinco minutos e vai embora. Ele não usa armas. Ele é a garantia da fuga. A sequência inicial é de perder o fôlego, e nela percebemos toda a 'expertise' do personagem, que demonstra frieza na direção e um controle absoluto do carro.
O único amigo do Motorista é seu patrão-agente (Bryan Cranston), que aposta que o garoto tem talento suficiente para construir uma carreira milionária nas pistas de corrida. Para levantar dinheiro e construir um bom carro de competição, ele vai atrás do 'financiamento' dos mafiosos Nino (Ron Perlman) e Bernie Rose (Albert Brooks). Enquanto isso, a atenção do solitário protagonista é atraída para sua vizinha, Irene (Carey Mulligan) e seu filho Benicio (Kaden Leos), com quem ele consegue estabelecer laços afetivos.
Dirigido com maestria pelo diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn - que ganhou o prêmio de Melhor Direção em Cannes este ano - o longa adquire um tom contemplativo, silencioso, e que auxilia na construção de uma tensão quase insuportável. A sensação é sempre de que alguma coisa está para acontecer, e é recomendável apertar os cintos, se preparando para o pior.
Leia mais na resenha de Rafael Ceribelli


