Drinques com história
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quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Telma Elorza 
Londrina ganha mais um espaço histórico restaurado. Desta vez, porém, não se trata de nenhum museu, mas de um bar. Um importante prédio para a história de Londrina, a antiga estação ferroviária de embarque de café, na rua Paraíba, foi inteiramente restaurada e reabre, hoje, como o mais novo point londrinense: Estação Norte. A iniciativa é do empresário Ricardo Fontana Guimarães.
Guimarães faz parte de uma família que tem marcado a noite londrinense nos últimos anos através de duas das mais conceituadas casas noturnas da cidade, Empório Guimarães e Villa Fontana. Porém, enquanto o Empório segue o conceito de night club, misturando boate, bar e restaurante, e o Villa Fontana é caracterizado por sua cozinha, a aposta do Estação Norte está nas características de um bar rústico e, ao mesmo tempo, sofisticado. A idéia é a de um bar descontraído, para onde as pessoas vão após o trabalho, a escola, enfim, um local onde não é preciso nenhum motivo especial a não ser a vontade de relaxar e bater papo com os amigos - diz o empresário.
O novo espaço funcionará de segunda a segunda, sempre a partir das 18 horas. Vários tipos de aperitivos, saladas, sanduíches e pizzas vão compor o cardápio da casa que, aliás, não vai ter um cardápio tradicional. Vamos servir aperitivos e pratos diferentes, saladas, carpaccios mas não vamos ter um menu. As próprias toalhinhas de mesa serão o nosso menu - conta. A pizza vai ser o carro-chefe e uma das atrações do lugar é um enorme e magnífico forno a lenha construído especialmente para o bar. A preparação da pizza vai ser um show à parte, com o pizzaiolo preparando a massa à vista de todos, sob uma abóboda.
A escolha da antiga estação para o novo bar faz parte de uma tendência mundial de utilizar antigos prédios para novas funções. Segundo Guimarães, o prédio está em um setor da cidade que merece ser preservado por ser parte importante da história de Londrina. A cidade floresceu com o café e a estação foi o ponto principal de escoamento da produção. Dali era embarcado o café que abastecia quase o mundo todo.
Aproveitando o conjunto de armazéns antigos, construídos pelo pioneiro Michel Curi Sahião, o projeto da Estação Norte foi cuidadosamente elaborado pelo italiano Alessandro Crostarosa. Segundo ele, a reciclagem de prédios antigos é uma tendência das grandes cidades da Europa e dos Estados Unidos. Há aproximadamente 20 anos, por exemplo, grandes espaços antigos da cidade de Nova York começaram a ser utilizados como ateliês, centro de lazer e até moradia de artistas plásticos. A reciclagem muda a destinação de uso mas preserva algumas características do projeto original. Há um resgate de valores sem desvirtualizar a essência da obra. A área recuperada reintegra-se ao contexto urbano - explica.
Um dos detalhes mais interessantes da arquitetura do Estação Norte é que a estrutura da construção, de madeira maciça (peroba-rosa), foi mantida inalterada. O tesouramento sofreu apenas restauração e foi criada uma iluminação própria. Além disto, o restante da madeira usada foi madeira de demolição de uma das primeiras casas dos pioneiros - diz Crostarosa. Além disto, foram usados alguns elementos de decoração - como bancos em ferro - para lembrar a antiga função do prédio. As linhas dos bancos lembram as dos antigos bancos de espera das estações - afirma.
Estação Norte - Inauguração hoje, às 18 horas. Rua Paraíba, 579, em Londrina.


