São Paulo - Conhecido por tratar na TV de temas como Aids, obesidade e tabagismo, o oncologista Drauzio Varella volta ao ar na série "Autismo: Universo Particular", que estreia amanhã, no "Fantástico" (Globo). O transtorno também é um tema presente em "Amor à Vida" (Globo), com a personagem Linda (Bruna Linzmeyer). "Há uma relação casual com a novela. É muito importante que as famílias saibam o que é a doença, para reconhecer em seus filhos as primeiras manifestações", diz Varella, que pensou na série há pouco mais de dois anos. "Há sempre o interesse em discutir o assunto, porque o diagnóstico leva muito tempo para ser feito."
Segundo o médico, a inspiração para o quadro veio após a sanção da lei nº 12.764, a Lei Berenice Piana, que assegura aos autistas os mesmos direitos das pessoas com necessidades especiais. A lei vai ajudar na abordagem usada pela série, que ainda mostrará a diferença no tratamento dos autistas cujas famílias dispõem de recursos e as que utilizam serviços públicos. "As escolas são obrigadas a aceitar os autistas como alunos, mas não adianta se não dispõe de estrutura nem de profissionais preparados", diz Varella.
O primeiro episódio de "Autismo: Universo Particular" retrata a história dos irmãos Thomas e Nicolas, de Curitiba. Ambos têm o transtorno, mas com sintomas distintos. O doutor em neurologia José Salomão Schwartzman, que também participa do quadro do "Fantástico", acompanha eles desde a infância. "Um tem sintomas clássicos do autismo, como a pouca fala. O outro é bom em matemática, mas não possui interação social", comenta. "Esses meninos têm o privilégio de ter uma família comprometida com os cuidados deles. O ambiente possibilita um melhor tratamento", analisa o especialista.
Segundo Schwartzman, que já participou de outros quadros e reportagens do dominical, a nova série vai aproximar as pessoas do assunto. "Não adianta as pesquisas sobre o autismo ficarem na torre de um castelo, longe da realidade. Esse quadro é a chance de fazer com que as coisas que são restritas a universidades cheguem ao grande público", aponta.
Para Varella, a série também é uma oportunidade de esclarecer mitos em relação ao transtorno. "O autismo é crônico e não tem cura. É um mito dizer que há cura com tratamento. O que se pode fazer é melhorar as condições das pessoas para enfrentar o mundo externo", alerta.
Em mais um projeto para a TV, o médico revela que é preciso ser delicado ao tratar de histórias reais e que há uma preocupação em traduzir a linguagem científica para uma que seja mais acessível. "Nem sempre é fácil. Não há dificuldade em estar na TV. O desafio está em como abordar os temas."

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