Dramaturgos se mobilizam para administrar Sbat
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Beth Népoli 
São Paulo, 03 (AE) - A Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), a mais antiga entidade brasileira de arrecadação de direitos autorais, fundada pela compositora Chiquinha Gonzaga em 19l7, sofreu um forte abalo com a demissão por justa causa da ex-superintende Neide Silva de Barros, acusada de desviar verbas da instituição, causando um prejuízo até agora calculado em R$ 500 mil. Neide, que move uma ação contra a Sbat, nega as acusações. Dramaturgos vêm se mobilizando para encontrar novas formas de administrar a entidade, cuja existência consideram fundamental.
No fim do ano passado, um grupo de funcionários da Sbat denunciou irregularidades na atuação da ex-superintendente e, imediatamente, o diretor teatral e presidente da entidade, José Renato, nomeou umA comissão formada por Sérgio Fonta, Edinha Diniz, Ewa Procter e Gugu Olimecha para apurar a denúncia. Em março, o grupo havia reunido uma vasta documentação que apontava irregularidades na atuação da funcionária, como cheques da entidade depositados em sua conta bancária pessoal e comprovantes de compras em joalherias, lojas de roupas e sapatos.
"Ela utilizou o cartão de crédito da entidade, um cartão de pessoa jurídica, para gastos pessoais", diz José Renato. Assim que as suspeitas ficaram evidentes, a funcionária foi demitida por justa causa. Em seguida, José Renato contratou uma auditoria profissional que ainda está trabalhando para apurar a real extensão do prejuízo e a entidade move uma ação cível e outra penal contra a funcionária. "A cada momento aparece uma nova evidência", diz o escritor Carlos Eduardo Novaes, que lidera uma chapa para concorrer a eleição da próxima diretoria da Sbat. A ex-superintende, que negou as acusações e está movendo uma ação trabalhista contra a Sbat, não foi encontrada em sua casa em São Paulo.
José Renato admite serem muitos os problemas administrativos acumulados ao longo dos anos. "Acabamos de perder uma ação trabalhista movida por um agente em Curitiba, que deveria ter sido resolvida com um acordo há oito anos, porém
entre outros erros, os advogados perderam o prazo". Para Novaes, esse tipo de problema só será resolvido com a terceirização do Departamento Jurídico e dos agentes fiscalizadores.
O dramaturgo Luís Alberto de Abreu, um dos diretores da entidade, vai além. "Só uma administração profissional resolverá o problema; administrar é uma ciência e autores, ainda que honestos como é o caso de José Renato, não possuem esse talento". Juca de Oliveira lembra que não há problema que não resulte numa boa lição. "Ninguém duvida da importância da Sbat, mas poucos, como José Renato, estão dispostos a trabalhar pela entidade", diz. "É hora de os autores irem à luta".


